Prefeitura exige teleconsultoria prévia para pacientes no aguardo de especialistas em Campo Grande
A nova resolução da prefeitura pretende reduzir as filas de espera, mas o modelo deixa muitas dúvidas no ar sobre a qualidade do serviço
Sesau A Prefeitura de Campo Grande publicou, em edição extra do Diogrande desta terça-feira (5), uma nova resolução que altera o fluxo de acesso a consultas com especialistas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na capital sul-mato-grossense.
A principal mudança prevê que pacientes da rede pública passem inicialmente por uma teleconsulta antes de serem encaminhados para atendimento especializado. A medida começa a ser aplicada na área de endocrinologia para adultos.
A regra foi estabelecida pela Resolução Sesau nº 995/2026, assinada pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela. O texto cria a chamada “teleconsultoria”, definida como uma etapa obrigatória de avaliação clínica e apoio à regulação dos encaminhamentos realizados pelas unidades de atenção básica.
Na prática, antes de entrar na fila para atendimento com especialistas, o paciente terá o caso analisado remotamente por um profissional de saúde. Dependendo da avaliação, o tratamento poderá continuar na própria unidade básica ou, caso necessário, haverá autorização para encaminhamento ao especialista.
Segundo a resolução, o objetivo da medida é organizar o acesso à atenção especializada, reduzir o tempo de espera nas filas e ampliar a capacidade de resolução da atenção primária. A teleconsultoria também deverá servir como suporte técnico para profissionais da rede básica, utilizando protocolos clínicos e evidências científicas.
O texto destaca ainda que a teleconsulta não deve funcionar como impedimento ao encaminhamento, mas como um mecanismo técnico de qualificação da demanda. Casos considerados de urgência e emergência continuam fora desse fluxo e seguem atendimento direto na rede de saúde.
Apesar das justificativas apresentadas pela prefeitura, a mudança gerou questionamentos entre usuários e observadores da área da saúde. Uma das preocupações levantadas é a possibilidade de a medida reduzir artificialmente as filas do SUS ao limitar ou reavaliar encaminhamentos logo na etapa inicial do atendimento.
A resolução também autoriza a revisão técnica da fila de espera já existente por meio das teleconsultas, o que pode resultar em reclassificações de pacientes que aguardam consultas especializadas.
A implementação começará pela endocrinologia, mas poderá ser ampliada gradualmente para outras especialidades conforme a disponibilidade de profissionais e as necessidades da rede pública de saúde de Campo Grande.
Fonte: www.topmidianews.com.br





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