MOTORISTA DE HADDAD MUDA VERSÃO E ADMITE À POLÍCIA QUE NÃO HOUVE CONFRONTO COM PMS
Imagens e dados de GPS teriam contrariado a versão inicial apresentada sobre a suposta abordagem policial.
Foto: Reprodução/ Estadão Investigação contesta versão de suposta abordagem policial envolvendo campanha de Haddad.
SÃO PAULO – A investigação sobre uma suposta intimidação política envolvendo a campanha de Fernando Haddad passou a ser questionada após a análise de provas técnicas reunidas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP). Em depoimento à Polícia Civil, o motorista do candidato apresentou uma versão diferente em alguns pontos do relato inicial, enquanto imagens de câmeras de monitoramento e dados de GPS foram utilizados para verificar a dinâmica do episódio.
O caso havia sido apresentado por integrantes da campanha como uma possível abordagem hostil envolvendo a Polícia Militar. Com o avanço da apuração, porém, surgiram divergências entre as primeiras informações divulgadas e os elementos reunidos pelos investigadores. Aliados do governador Tarcísio de Freitas passaram a defender a possibilidade de que o episódio seja investigado também sob a perspectiva de uma eventual falsa comunicação de crime.
Mudanças no depoimento.
Uma das principais divergências identificadas está relacionada ao relato atribuído inicialmente ao motorista. Segundo as primeiras informações divulgadas pela campanha, o funcionário teria descido do veículo e se deparado com policiais durante o episódio, além de ter ocorrido um contato entre a viatura e o carro utilizado pela equipe.
Em depoimento prestado posteriormente à Polícia Civil, entretanto, o motorista afirmou que permaneceu dentro do veículo. Também não teria relatado aos investigadores qualquer colisão ou contato físico entre os automóveis, o que enfraqueceu a versão inicial de uma abordagem mais agressiva.
Imagens e dados de GPS são analisados.
A investigação também realizou o cruzamento de informações provenientes de câmeras de segurança e sistemas de localização. Segundo os dados apresentados na apuração, mais de 70 equipamentos de monitoramento foram analisados, juntamente com registros de GPS das viaturas que circulavam pela região.
Uma das principais questões envolve a diferença entre os horários registrados nas mensagens do motorista e os horários identificados pelas câmeras. Mensagens enviadas durante a noite indicariam que ele ainda estaria nas proximidades de um hotel por volta das 23h01. As imagens, contudo, apontariam que o veículo havia deixado o local às 22h26 e posteriormente circulado pela Radial Leste.
As gravações analisadas pelos investigadores também indicariam que as viaturas da Polícia Militar apenas passaram pela região, sem registro de parada, desembarque de agentes ou abordagem ao motorista.
Campanha procura se afastar da controvérsia.
Diante das divergências apontadas durante a investigação, a campanha de Fernando Haddad procurou se distanciar de eventuais inconsistências no relato. Em manifestação sobre o caso, a equipe afirmou não ter motivos para desconfiar do prestador de serviço naquele momento e ressaltou que as informações posteriormente apresentadas pelo motorista eram de responsabilidade dele.
O caso continua sob investigação da Polícia Civil, que deverá avaliar os depoimentos, registros de câmeras, dados de localização e demais elementos reunidos para esclarecer o que ocorreu. Eventuais responsabilidades somente poderão ser definidas após a conclusão das apurações pelas autoridades competentes.
Diário360





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