• Campo Grande, 28/08/2026
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Candidatos atacam “gestão de 12 anos” e auxílio alimentação de 100 a PM em 2º debate

Delcídio do Amaral, Fábio Trad, Jeferson Bezerra, João Henrique Catan e Lucien Rezende participaram do debate. Não compareceram o atual Governador Eduardo Riedel (PP) candidato à reeleição, o candidato Renato Gomes (DC) e o candidato Daniel Gomes (PCO)


Candidatos atacam “gestão de 12 anos” e auxílio alimentação de 100 a PM em 2º debate Foto: Reprodução

O segundo debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul foi marcado por críticas à chamada “gestão de 12 anos” do grupo que comanda o Estado, além de discussões sobre a falta de regionalização da saúde, o déficit habitacional e o retorno de favelas em Campo Grande. Também estiveram em pauta o auxílio-alimentação de R$ 100 destinado aos policiais militares, a criação de estruturas de combate ao crime organizado na fronteira e até a possibilidade de distribuição de canetas emagrecedoras pela rede pública de saúde.

Promovido pelo programa Tribuna Livre, da FM Capital, o debate não contou com a participação de três candidatos: o governador Eduardo Riedel (PP), que disputa a reeleição, o economista Renato Gomes (DC) e Daniel Lemes (PCO).
Durante cerca de duas horas, os candidatos Delcídio do Amaral (PRD), Fábio Trad (PT), Jeferson Bezerra (Agir), João Henrique Catan (Novo) e Lucien Rezende (PSOL) apresentaram propostas e trocaram críticas em temas como segurança pública, habitação, saúde, assistência social e infraestrutura.

Fábio Trad criticou o grupo político que está há 12 anos à frente do Governo do Estado e afirmou que, apesar do discurso de crescimento econômico, ainda existem problemas na distribuição de renda e na regionalização dos serviços de saúde. Em referência às gestões de Reinaldo Azambuja (PL) e Eduardo Riedel, questionou se a população realmente passou a viver melhor. “Depois de 12 anos do mesmo grupo, eles dizem que o Estado ficou rico. Você ficou rico ou passou a viver melhor? A saúde melhorou? A saúde pública não funciona”, afirmou.
Na área da saúde, Fábio propôs a criação de um aplicativo para acompanhar consultas, exames e cirurgias, permitindo que o cidadão acompanhe a fila de atendimento de maneira transparente. Segundo ele, a ferramenta também ajudaria a evitar que pessoas com influência política passem à frente de outros pacientes.

João Henrique Catan defendeu a distribuição de medicamentos para emagrecimento pela rede pública de saúde e, durante o debate, fez uma provocação a Jeferson Bezerra, que reagiu à declaração. O candidato do Agir respondeu dizendo que o adversário não enfrentaria problema semelhante por ser neto de ex-governador, em referência a Marcelo Miranda, que morreu recentemente.
Na habitação, João Henrique citou o ex-governador André Puccinelli (MDB), lembrando o programa habitacional de sua gestão e a frase de que ele “entregava uma casa por minuto”. Puccinelli apoia a reeleição de Riedel. Catan defendeu o cumprimento da legislação que determina investimentos de 1% da receita em habitação e sugeriu o uso de emendas parlamentares para ampliar a construção de moradias.

Fábio Trad criticou o ritmo das ações habitacionais do Governo do Estado e afirmou que Riedel não estaria acompanhando a velocidade do programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal. “Falta competência e projeto”, declarou. Na sequência, relacionou Riedel à prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, afirmando que ela foi eleita com apoio do governador e responsabilizando a gestão municipal pelo retorno de “220 favelas” na Capital.

Delcídio do Amaral afirmou que Mato Grosso do Sul possui déficit de aproximadamente 15 mil moradias. O candidato disse que pretende utilizar a experiência acumulada durante seus dois mandatos como senador para buscar investimentos e ampliar as políticas habitacionais. Delcídio teve o mandato cassado pelo Senado após ser preso durante a Operação Lava Jato. Posteriormente, foi absolvido pela Justiça Federal, mas não recuperou o mandato.

Lucien Rezende defendeu que o Governo do Estado avalie a compra de imóveis já construídos e desocupados em vez de concentrar os investimentos exclusivamente na construção de novas unidades. Ele citou como exemplo o Conjunto Estrela do Sul, em Campo Grande, onde, segundo ele, existem cerca de 50 casas disponíveis para venda e que poderiam ser destinadas a famílias sem moradia, em uma região que já conta com infraestrutura de água, esgoto, energia elétrica e pavimentação.
Na discussão sobre infraestrutura, Jeferson Bezerra classificou como uma “vergonha” a demora na duplicação da BR-163. O candidato também mencionou a Operação Lama Asfáltica, investigação que apurou um amplo esquema de corrupção em Mato Grosso do Sul, e criticou o fato de políticos que já foram presos por suspeitas de corrupção posteriormente disputarem eleições. Sem citar diretamente o nome, fez referência ao ex-deputado Edson Giroto (PL). “É um tapa na cara da população, é uma vergonha tanto buraco”, afirmou.

Fábio Trad concordou com a avaliação de que houve redução da extrema pobreza em Mato Grosso do Sul, mas atribuiu parte do resultado às políticas do Governo Federal. Segundo ele, cerca de 200 mil famílias do Estado são beneficiadas pelo Bolsa Família.
Delcídio voltou a criticar o chamado “Azambujismo”, em referência ao ex-governador Reinaldo Azambuja, e afirmou que uma “elite minoritária” estaria concentrando atenção nos setores mais ricos da economia enquanto deixa em segundo plano os mais pobres, indígenas e quilombolas. “Só tratamos dos grandes produtores rurais, e a agricultura familiar, que é importante em qualquer país do mundo que se diz civilizado?”, questionou.

Segurança pública.

Na área da segurança pública, Fábio Trad criticou o valor de R$ 100 destinado como auxílio-alimentação aos policiais militares. “Os praças recebem 100 de alimentação, desafio o Riedel sustentar a família com 100”, afirmou. O candidato também declarou que “o crime organizado existe porque o Estado está desorganizado”.
Entre suas propostas, Fábio defendeu a criação de um Centro Integrado de Policiamento na fronteira, reunindo Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal e Receita Federal para combater organizações criminosas. Ele também propôs a criação do Batalhão de Choque Maria da Penha, voltado ao enfrentamento da violência contra a mulher e dos casos de feminicídio.

Delcídio demonstrou preocupação com os índices de feminicídio em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, 24 mulheres haviam sido assassinadas por companheiros ou ex-companheiros no Estado até aquele momento. “É um número extremamente preocupante”, afirmou.
O ex-senador também citou o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), destacando a importância do programa para a vigilância da região de fronteira. Para Delcídio, é necessário ampliar os investimentos em tecnologia e inteligência para enfrentar o crime organizado. Ele classificou a atual política de segurança como “papai com mamãe” e afirmou que esse modelo já não seria suficiente para combater a criminalidade.
Diferentemente do primeiro debate, realizado pela Morena FM e pelo Primeira Página, quando as discussões ficaram mais concentradas nas críticas entre os candidatos, o segundo encontro apresentou maior equilíbrio entre ataques aos adversários e apresentação de propostas para áreas consideradas prioritárias para Mato Grosso do Sul.

www.msagoraurgentenews.com.br




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