MPE APONTA QUE RECURSOS DE EMPRESAS LIGADAS À SANTA CASA ERAM DIVIDIDOS EM SAQUES DE ATÉ R$ 49 MIL
Ministério Público aponta que valores de empresas ligadas à Santa Casa eram fracionados em retiradas de até R$ 49 mil, segundo a investigação.
Foto: Reprodução BOMBA NA SANTA CASA: EMPRESAS TERIAM OPERADO EM CONJUNTO E VALORES FORAM EM SAQUES DE R$ 49 MIL.
Segundo a investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Redvalue, EXBE e Infotech teriam atuado de forma integrada, realizando transferências entre si, assumindo despesas umas das outras e, posteriormente, retirando parte dos recursos em dinheiro vivo.
De acordo com o MP, uma parcela significativa dos valores era dividida em quantias próximas de R$ 49.999 antes de ser sacada por pessoas físicas relacionadas ao núcleo investigado. O padrão das operações chamou a atenção dos investigadores pela repetição e pela forma como os recursos eram movimentados antes de chegarem às mãos dos destinatários.
Em uma das sequências analisadas, foram identificados diversos saques de R$ 49 mil vinculados à Redvalue e à EXBE. Somadas outras retiradas de valores menores, as operações alcançaram R$ 761.999.
A investigação também aponta que outra pessoa ligada ao caso teria realizado, entre setembro e dezembro de 2025, três retiradas em espécie que totalizaram R$ 129.999.
O Ministério Público afirma que, na documentação analisada, não foram localizados contratos, notas fiscais, comprovantes de contraprestação ou justificativas econômicas capazes de explicar os saques realizados por empregados, servidores públicos e outras pessoas físicas relacionadas ao grupo.
Para os investigadores, a combinação entre transferências cruzadas, pagamento de despesas entre empresas, fracionamento dos valores e posteriores retiradas em dinheiro apresenta características compatíveis com mecanismos de ocultação e dissimulação da origem, da movimentação e do destino dos recursos.
As movimentações são investigadas sob suspeita de lavagem de capitais. A existência de operações consideradas suspeitas, contudo, não representa conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.
O caso integra o procedimento que apura supostas fraudes contratuais e possíveis desvios envolvendo a Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande e a Operadora Santa Casa Saúde, com o Ministério Público aprofundando a análise do caminho percorrido pelos recursos e dos possíveis beneficiários finais.
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