MESES APÓS CRIAR ESQUEMA NA SANTA CASA, DIRETORIA PLANEJOU EXPANDIR FRAUDE AO PRONTOMED
Após suspeitas envolvendo a gestão da Santa Casa, documentos indicam que a diretoria teria planejado ampliar o esquema para o ProntoMed.
Foto: Reprodução Meses após implantar esquema na Santa Casa, diretoria planejou ampliar fraude ao ProntoMed
Seis meses após formalizar a contratação da Redvalue na Santa Casa, o grupo criminoso começou a tramar uma nova contratação, dessa vez, começando pelo ProntoMed. As investigações mostram o esquema por trás da formalização da empresa, que iria implantar um novo sistema no pronto socorro do maior hospital de Mato Grosso do Sul.
Relatório do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), mostra que em abril de 2025, exatos seis meses após a contratação da Redvalue, a diretoria começou a negociar um novo esquema. Um mês depois, o empresário Maurício Benites foi chamado para “apresentar” a proposta em reunião da diretoria.
Mas mensagens interceptadas mostram os bastidores da apresentação, que mesmo antes de acontecer já tinha aval da diretoria. “Mas já está aprovado os quatro sistemas, tá? Eu consegui falar e aí já está aprovado, tá bom? Mas aí ela quer que venha e apresente, você fala”, disse o então diretor de Finanças e Administração, Rinaldo Hakme Romano a Maurício.
Para o Gecoc, a cronologia comprova o método já usado na contratação da REdvalue, que consistia em ajustarem o negócio entre si e com o empresário, para só então promover os atos internos necessários à contratação, de forma que o esquema não ficasse claro.
“As provas reunidas indicam que as fraudes são meticulosamente planejadas, com divisão de tarefas entre os particulares e servidores envolvidos, revelando um modo de agir profissionalizado, estável e voltado à dilapidação sistemática do patrimônio público, com grave prejuízo à coletividade e enriquecimento ilícito dos investigados”, explica o Gecoc em relatório.
Funcionários ajudaram a articular esquema
Para além dos diretores da Santa Casa envolvidos na fraude e corrupção, a Operação Antidotum identificou que a cooptação de alguns funcionários foi essencial para que os esquemas se concretizassem. Entre eles, a supervisora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística, Monique Gregório.
Segundo a investigação, ela integrou a execução da fraude ao atestar notas e relatórios da Redvalue mesmo ciente da inexistência de comprovação suficiente da contraprestação dos serviços. Ela teria feito de forma consciente os atos ilegais.
“Sua atuação foi funcionalmente indispensável à liberação dos pagamentos, pois os atestos por ela subscritos conferiram aparência de regularidade à execução contratual e permitiram o desembolso de recursos públicos”, destacou a investigação.
Monique está entre os presos da semana passada. No relatório consta que ela também omitiu documentos quando solicitado pelo Conselho Fiscal da Santa Casa.
“Os elementos reunidos demonstram que não se trata de fatos isolados ou exauridos no passado, mas de atuação organizada, reiterada e funcionalmente estruturada, com divisão de tarefas, domínio de setores estratégicos, manipulação de procedimentos internos, ocultação de documentos, programação de pagamentos e articulação de novas contratações”.
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