CONSÓRCIO CRIADO EM 2025 POR FILIADO AO AVANTE FATURA R$ 4,8 MILHÕES EM CONTRATOS NA GESTÃO ADRIANE LOPES
Empresa será responsável pela elaboração do projeto técnico que definirá as intervenções necessárias para a construção de um viaduto em uma rotatória, etapa que deverá orientar o planejamento e a execução futura da obra.
Foto: Edemir Rodrigues/Governo MS CONSÓRCIO CRIADO EM 2025 FATURA R$ 4,8 MILHÕES EM CONTRATOS NA GESTÃO ADRIANE LOPES.
Formado por empresas de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, grupo recebeu três contratos da Prefeitura de Campo Grande; um deles prevê estudos para substituir rotatória da Avenida Gury Marques por viaduto, enquanto outro abrange projetos de infraestrutura sem detalhar os bairros contemplados.
O Consórcio Taquari, constituído em fevereiro de 2025 por empresas de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, conquistou três contratos com a Prefeitura de Campo Grande que, somados, chegam a R$ 4,8 milhões. Um dos acordos foi firmado menos de um ano após a criação do grupo, enquanto outros dois, que totalizam R$ 3,6 milhões, foram publicados no Diário Oficial do município na terça-feira (27).
Entre os contratos mais recentes está um de R$ 543,7 mil, destinado à elaboração de estudos e projetos para a implantação de um viaduto na Avenida Gury Marques, em substituição à atual rotatória. O trabalho deverá fornecer os elementos técnicos necessários para orientar o planejamento da futura intervenção viária.
O segundo acordo publicado prevê o pagamento de R$ 3,1 milhões ao consórcio para desenvolver estudos e projetos de infraestrutura em diferentes bairros da Capital. O documento, porém, não especifica quais localidades serão contempladas nem detalha individualmente as intervenções previstas.
Os dois contratos têm prazo de vigência de 90 dias e foram assinados por André de Moura Brandão, titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), e pelos empresários Raphael Eduardo de Melo e Silva e Ricardo Schettini Figueiredo.
A trajetória contratual do grupo também chama a atenção. No caso do acordo firmado em 2025, a licitação havia sido homologada em janeiro em favor da empresa Projeta, mas o contrato acabou sendo assinado apenas em novembro, já em nome do Consórcio Taquari.
O consórcio é composto pela Objetiva Projetos e Serviços, sediada em Belo Horizonte (MG), e pela Schettini Engenharia, de Campo Grande. Seu administrador, Raphael Eduardo de Melo e Silva, aparece ligado a diferentes empresas e disputou, em 2024, o cargo de vice-prefeito de Brumadinho (MG) pelo Avante.
A sigla também tem ligação política com o deputado estadual Lídio Lopes, marido da prefeita Adriane Lopes (PP). Essa relação partidária, por si só, não comprova irregularidade nos contratos, mas integra o contexto político em que os acordos foram firmados.
A rapidez com que uma empresa constituída recentemente passou a participar de contratos milionários da administração municipal levanta questionamentos sobre os critérios de contratação, a capacidade técnica exigida e o histórico das empresas envolvidas. A avaliação desses pontos depende da análise dos editais, dos documentos de habilitação e dos procedimentos adotados pela Prefeitura.
O caso não é isolado no cenário recente das contratações municipais. Outras empresas com pouco tempo de abertura também teriam obtido contratos com a gestão Adriane Lopes, incluindo uma companhia de tecnologia que recebeu um acordo de aproximadamente R$ 1 milhão após dez meses de atividade e outra, com sete meses de existência, contratada para fornecer chips ao município.
A concentração de contratos de valores elevados em empresas recém-criadas reforça a importância da transparência sobre os processos de seleção, a experiência dos fornecedores e a execução dos serviços. Até que eventuais falhas sejam demonstradas por documentos ou órgãos de controle, a idade das empresas e suas conexões políticas não constituem, isoladamente, prova de irregularidade.
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