VEREADOR PREVÊ CASSAÇÃO DE ADRIANE LOPES, ENQUANTO SECRETÁRIO ATRIBUI BURACOS NAS RUAS AO COMBATE À CORRUPÇÃO
Secretário de Infraestrutura deixou sem resposta questionamentos sobre seu paradeiro durante o temporal, apesar dos alertas emitidos pelas autoridades à população.
Foto: Izaias Medeiros/CMCG SABATINA DE SECRETÁRIO EXPÕE CRISE DO TAPA-BURACOS, COBRANÇAS SOBRE TEMPORAL E PREVISÃO DE CASSAÇÃO DE ADRIANE.
André de Moura Brandão atribui redução dos serviços à suspensão de contratos após operação do Ministério Público, não informa onde estava durante temporal e admite não haver prazo exato para acabar com os buracos; vereadores avançam com CPI e cobram plano emergencial para recuperar as vias.
Sem a confusão que havia interrompido os trabalhos na semana anterior, a Câmara Municipal de Campo Grande realizou, nesta terça-feira (27), a sabatina do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André de Moura Brandão. O titular da Sisep foi convocado para prestar esclarecimentos sobre a execução do serviço de tapa-buracos na Capital, alvo de reclamações de moradores e de questionamentos dos vereadores.
Durante a sessão, os parlamentares cobraram explicações sobre a demora na recuperação das ruas, a qualidade dos reparos e a falta de um cronograma para resolver o problema. O debate também foi marcado por perguntas sobre a atuação da Secretaria durante o temporal que atingiu Campo Grande no feriado de Nossa Senhora Aparecida. O secretário não respondeu onde estava na ocasião e afirmou que trataria apenas de assuntos relacionados ao tema da sabatina.
Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando o vereador Marquinhos Trad (PV), ex-prefeito da Capital, questionou Brandão sobre seu paradeiro durante as fortes chuvas. Os vereadores Jean Ferreira (PT) e Professor Riverton (PP) repetiram a pergunta, mas receberam a mesma resposta. Jean afirmou que o secretário teria aproveitado o feriado para descansar em Bonito, embora houvesse previsão de condições meteorológicas adversas para Campo Grande.
SECRETÁRIO ATRIBUI REDUÇÃO DOS SERVIÇOS À SUSPENSÃO DE CONTRATOS
Ao apresentar dados sobre a evolução do tapa-buracos ao longo do ano, André Brandão apontou a Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Ministério Público Estadual (MPE) em maio, como um dos fatores que reduziram a capacidade de atendimento da Prefeitura. Segundo ele, dos sete contratos existentes, apenas três permaneceram vigentes após a determinação de suspensão daqueles que apresentavam suspeitas de irregularidades.
“Em junho, quando assumi a Sisep, tínhamos apenas três contratos vigentes. Tivemos um decréscimo de 80% nos serviços. Adotamos medidas de gestão para enfrentar essa situação já agravada”, declarou o secretário.
Brandão informou que atualmente 12 frentes de trabalho atuam na recuperação de buracos de segunda-feira a sábado, abrangendo diferentes regiões da cidade. Conforme a explicação apresentada, a estrutura inclui duas equipes próprias, quatro contratos regionais e cinco frentes vinculadas ao Consórcio Central, formado por cinco municípios.
Apesar da ampliação das equipes, o secretário não apresentou uma data definitiva para que Campo Grande fique livre dos buracos. Ele afirmou que o prazo dependerá da evolução dos serviços e das condições necessárias para a aplicação da massa asfáltica.
QUESTIONAMENTOS SOBRE A ATUAÇÃO DURANTE O TEMPORAL
Marquinhos Trad lembrou que a população recebeu, entre os dias 6 e 7 de outubro, alertas sobre a previsão de chuva e ventos fortes para os dias 10, 11 e 12, durante o feriado prolongado. O vereador questionou onde o secretário estava enquanto a Capital enfrentava as condições climáticas adversas.
Brandão respondeu que se limitaria a tratar dos assuntos relacionados à convocação. Jean Ferreira e Professor Riverton insistiram na pergunta, mas o titular da Sisep manteve a mesma posição.
O temporal foi acompanhado de ventos intensos e granizo. Dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) indicaram que Campo Grande acumulou 86,8 milímetros de chuva em 24 horas, volume próximo ao registrado durante todo o mês de outubro do ano anterior.
A falta de resposta sobre o paradeiro do secretário durante o episódio ampliou as cobranças dos vereadores, que buscavam esclarecer como a administração municipal se organizou diante dos alertas meteorológicos e dos possíveis impactos sobre a infraestrutura urbana.
VEREADOR PREVÊ CASSAÇÃO DA PREFEITA
Presidente da Comissão de Obras, o vereador Flávio Cabo Almi (PSDB) cobrou um relatório detalhado dos serviços de tapa-buracos e questionou quando a cidade poderá superar o problema. Durante a sabatina, ele afirmou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em andamento poderá resultar na cassação da prefeita Adriane Lopes (PP).
“Essa CPI vai gerar a cassação da prefeita, vai gerar a cassação da prefeita. Eu falo isso com tranquilidade”, declarou o parlamentar. Ele também alertou que a administração municipal teria prazo para apresentar respostas antes da conclusão dos trabalhos da comissão e mencionou uma crise anterior vivida pela cidade durante a gestão de Alcides Bernal.
Flávio afirmou que a insatisfação da população com as condições das ruas afeta a relação entre os moradores e os representantes políticos. Segundo ele, os buracos dificultam deslocamentos cotidianos e prejudicam a imagem dos vereadores diante do eleitorado.
O parlamentar ressaltou que percorreu as 12 maiores avenidas de Campo Grande e relatou reclamações de moradores sobre a dificuldade de circular pela cidade. Também afirmou que a CPI não tem como objetivo perseguir a prefeita, mas investigar a situação do serviço público e buscar respostas para os problemas enfrentados pela população.
A previsão de cassação, no entanto, representa a avaliação política do vereador, e não uma decisão já tomada. Qualquer eventual processo dependerá dos procedimentos legais e das conclusões das apurações.
CPI DO TAPA-BURACOS AVANÇA NA CÂMARA
Paralelamente à sabatina, os 29 vereadores da Câmara Municipal assinaram o requerimento para abertura de uma CPI destinada a investigar o serviço de tapa-buracos em Campo Grande.
O pedido está em análise na Procuradoria Jurídica da Casa, responsável por emitir parecer sobre a solicitação. Depois dessa etapa, o requerimento deverá seguir os trâmites necessários para a eventual instalação da comissão.
A investigação pretende ampliar a fiscalização sobre os contratos e a execução dos serviços, em meio às críticas sobre a qualidade dos reparos e à recorrência de buracos em ruas que já passaram por manutenção.
PLANO EMERGENCIAL PREVÊ METAS E PRAZOS
O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Vicente Neto, o Papy (PSDB), entregou ao secretário um Plano Emergencial de Recuperação Viária. O documento estabelece prazos para que a Sisep organize as ações de manutenção, divulgue informações e preste contas à população.
Entre as medidas propostas, a Secretaria deverá apresentar, em até 72 horas, um plano emergencial com cronograma de manutenção, indicação dos responsáveis, equipes mobilizadas e prioridades. Em sete dias, deverá publicar um mapa georreferenciado dos pontos críticos, das equipes em operação e do calendário de atendimento, incluindo serviços nos fins de semana e trabalho noturno quando houver viabilidade técnica.
O plano também prevê a divulgação, em até 15 dias, de um balanço dos serviços realizados, com localização, quantidades, fotografias e custos. Em 30 dias, a administração deverá avaliar o cumprimento das metas e apresentar um planejamento para os meses seguintes. A proposta inclui ainda prestação de contas semanal à Comissão da Câmara e atualização de um painel público.
Outro eixo prevê a criação de um protocolo de resposta a chuvas intensas e de um Programa de Qualidade do Asfalto, com participação técnica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). O documento também propõe um Observatório Municipal do Asfalto, com dados abertos e atualizações semanais sobre os serviços.
SECRETÁRIO NÃO ESTABELECE PRAZO PARA O FIM DOS BURACOS
A previsão para solucionar o problema foi um dos principais pontos da sabatina. Questionado sobre quando Campo Grande poderá ficar livre dos buracos, Brandão afirmou que é difícil estabelecer uma data e que o objetivo é resolver a situação “o mais breve possível”.
Professor Riverton, autor do requerimento que convocou o secretário, questionou a possibilidade de recuperar as vias até dezembro, considerando a aproximação do período de chuvas. O vereador também perguntou se o orçamento disponível seria suficiente para atender à demanda.
Brandão respondeu que há recursos para manter os contratos vigentes e as 12 frentes de trabalho, afirmando que não existem débitos relacionados a esses acordos. Ainda assim, não apresentou uma data para a conclusão da recuperação viária.
O secretário citou o volume de chuvas como um obstáculo à aplicação da massa asfáltica. Também apontou a idade do pavimento como um dos fatores que agravam o cenário. Segundo os parâmetros mencionados por ele, a vida útil média do asfalto é de oito a dez anos, período após o qual são necessárias ações preventivas. Em Campo Grande, afirmou, cerca de 53% do pavimento tem mais de 30 anos e demanda recapeamento.
REPAROS QUE VOLTAM A APRESENTAR PROBLEMAS
Os vereadores também cobraram explicações sobre buracos que reaparecem poucas semanas depois da realização dos reparos. Brandão afirmou que os serviços são fiscalizados pelas equipes da Secretaria e citou um caso no bairro Aero Rancho como exemplo de intervenção considerada inadequada.
Segundo o secretário, uma empresa aplicou massa asfáltica em temperatura fora do padrão recomendado e, no mesmo dia, surgiram 20 buracos no trecho atendido. A contratada teria sido notificada e recebido prazo de 48 horas para refazer o serviço.
O episódio foi apresentado como exemplo dos problemas de execução que podem comprometer a durabilidade dos reparos. A cobrança por fiscalização mais rigorosa, transparência nos gastos e melhoria da qualidade do asfalto permanece no centro do debate sobre a infraestrutura de Campo Grande.
A sabatina terminou sem uma previsão concreta para a solução definitiva da buraqueira. Enquanto a Sisep atribui parte das dificuldades à suspensão de contratos, às chuvas e à idade do pavimento, os vereadores pressionam por resultados, cobram informações sobre a execução dos serviços e avançam com a investigação parlamentar.
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