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Campo Grande,19/03/2026

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Adriane dá R$ 10,7 milhões em contratos de recapeamento a rés por corrupção e fraude


Adriane dá R$ 10,7 milhões em contratos de recapeamento a rés por corrupção e fraude Prefeitura quer recapear as 5 regiões da cidade, mas não consegue acabar com os buracos (Foto: O Jacaré)

A prefeita Adriane Lopes (PP) homologou R$ 10,7 milhões em contratos de recapeamento com duas empresas denunciadas por corrupção, desvios milionários e fraude. A A.L. dos Santos, do polêmico André Luiz dos Santos, conhecido como André Patrola, denunciado pelo desvio de R$ 45 milhões na Operação Cascalhos de Areia, é uma das contempladas.


André Patrola foi condenado por corrupção passiva em um esquema envolvendo o procurador aposentado da Câmara Municipal, André Luiz Scaff. No entanto, devido à morosidade da Justiça, ele acabou se livrando da prisão após a prescrição do crime.


Apesar disso, a construtora e o empresário foram denunciados pelo desvio de R$ 45 milhões por meio de contratos de manutenção de vias não pavimentadas e locação de máquinas, escândalo revelado na Operação Cascalhos de Areia.


Mesmo com esse histórico, a prefeita homologou contrato de recapeamento com a A.L. dos Santos no valor de R$ 6,153 milhões. A empresa continua sob investigação do Ministério Público Estadual.


Denunciada por desvio e fraude na Operação Tapa-buracos, durante a gestão de Nelsinho Trad (PSD), a Asfaltec Usina de Asfalto e Tecnologia também foi contemplada com outro contrato de recapeamento, no valor de R$ 4,569 milhões.


O Ministério Público Estadual acusou a empresa de fraude em licitação e de receber recursos sem executar o serviço de tapa-buracos. Agora, a empresa foi novamente contratada para recapear ruas e avenidas da Capital. As duas empresas envolvidas em escândalos devem receber juntas R$ 10,7 milhões, o equivalente a 28% dos R$ 37,6 milhões firmados em contratos de recapeamento.


Apesar de a prefeitura alegar dificuldades financeiras, a prefeita optou por contratar empresas envolvidas em escândalos de corrupção e acusadas pelo MPE de não executar serviços contratados.


R$ 37 milhões em recapeamento


A prefeitura contratou seis empresas por R$ 37,6 milhões para recapear ruas de Campo Grande, no que tem chamado de um “programa inédito de recapeamento de ruas e avenidas”. A iniciativa ocorre após a gestão de Adriane Lopes (PP) se tornar alvo de críticas pela precariedade da infraestrutura e pela grande quantidade de buracos nas vias da Capital. Ainda assim, chama atenção o envolvimento de algumas empresas contratadas em escândalos de corrupção.


Dois dos sete contratos são com a Construtora Rial e somam R$ 10,8 milhões. A Relevo Engenharia firmou contrato de R$ 5,2 milhões, enquanto a Gradual Engenharia e Consultoria receberá R$ 4,7 milhões. Já a RR Barros Serviços e Construções foi contratada por R$ 6,1 milhões.


De acordo com a própria prefeitura, os valores incluem apenas a execução dos serviços, sem o fornecimento de material, que ficará a cargo do Consórcio Municipal. O município, que historicamente mantém contratos para tapa-buracos, afirma que este é um modelo inovador para atender as sete regiões urbanas da cidade, com uma empresa responsável por cada área. Os contratos podem ter duração de até 10 anos.


Confira os contratos:


- Construtora Rial – R$ 6.763.196,87

- RR Barros Serviços e Construções – R$ 6.199.000,00

- Gradual Engenharia e Consultoria – R$ 4.702.673,71

- Construtora Rial – R$ 4.045.000,00

- Relevo Engenharia – R$ 5.220.414,62

- Asfaltec Usina de Asfalto e Tecnologia – R$ 4.469.999,53

- Andre L. dos Santos – R$ 6.453.797,28


Crise financeira


Os contratos milionários, que prometem um recapeamento inédito nas ruas de Campo Grande, foram firmados poucos dias após Adriane Lopes prorrogar o decreto de corte de gastos do município.


No fim de fevereiro, a prefeita determinou um corte de 25% nas despesas municipais, incluindo consumo de água, energia elétrica, impressão, combustíveis e prestação de serviços terceirizados.


Inclusive, repartições públicas passaram a funcionar em meio expediente como forma de reduzir custos. Em janeiro, a prefeita também divulgou amplamente as dificuldades financeiras da administração, justificando o aumento de até 396% no IPTU de 2026.


Na ocasião, Adriane Lopes chegou a afirmar que a grande quantidade de buracos nas ruas da Capital era consequência da falta de recursos para investimentos.


Fonte: www.ojacare.com.br




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