Após culpar União por vetos no PAC, vereador muda o tom e critica inchaço da Prefeitura
Wilson Lands reclamou que governo federal tirou projetos para Campo Grande do PAC; cidade, no entanto, enfrenta restrições de crédito por má gestão do dinheiro público
Wilson Lands reclama que governo federal tirou projetos para Campo Grande do PAC; cidade, no entanto, enfrenta restrições de crédito por má gestão do dinheiro público / Marco Codignola/Berlim Caldeirão - Edição: Marco Codignola O argumento de que o Governo Federal estaria promovendo uma suposta “retirada” arbitrária de recursos de Campo Grande não se sustenta diante dos dados oficiais do Tesouro Nacional. Após ser confrontado pela reportagem com informações que apontam para a crise fiscal do município, o vereador Wilson Lands recuou da acusação de boicote político e reconheceu que o crescimento da máquina administrativa municipal tem sido um dos principais obstáculos para a obtenção de investimentos federais.
A discussão começou durante a sessão da última quinta-feira (5), na Câmara Municipal de Campo Grande. Na ocasião, ao debater a adesão da prefeitura ao Novo PAC da Mobilidade para a renovação da frota de ônibus, Lands chegou a aconselhar que o município não buscasse os recursos e afirmou que o governo federal teria barrado, de forma considerada por ele “estranha”, obras de contenção de enchentes nas avenidas Rachid Neder e Ernesto Geisel.
No entanto, levantamento fiscal indica que a ausência da Capital em determinados repasses não teria motivação política, mas financeira. O município ultrapassou o limite máximo previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal para gastos com pessoal, comprometendo mais de 55% da Receita Corrente Líquida apenas com a folha de pagamento.
Como consequência desse desequilíbrio, Campo Grande recebeu classificação “C” no índice de Capacidade de Pagamento (Capag), avaliação feita pelo Tesouro Nacional. Na prática, essa nota coloca o município em situação desfavorável para contratar financiamentos com garantia da União, requisito comum para a realização de grandes obras vinculadas ao Programa de Aceleração do Crescimento.
Recuo e críticas à gestão
Procurado para comentar a diferença entre sua fala no plenário e os dados fiscais apresentados, Wilson Lands adotou um tom mais cauteloso. O vereador reconheceu as limitações financeiras da cidade e direcionou críticas à atual administração municipal, comandada pela prefeita Adriane Lopes.
Segundo ele, o alto comprometimento do orçamento com despesas de pessoal exige atenção. O parlamentar afirmou que tem conhecimento das informações divulgadas pelo Tesouro Nacional e que a classificação “C” na Capag revela um cenário fiscal que precisa ser enfrentado.
Sobre ter classificado a exclusão de obras como algo “estranho”, Lands afirmou que sua intenção foi chamar atenção para o fato de que Campo Grande ficou fora de investimentos considerados importantes. De acordo com ele, a declaração buscava registrar a necessidade de transparência e de compreensão completa dos fatores que levaram à situação.
Ao comentar o tema, o vereador também criticou a estrutura administrativa da própria prefeitura. Para ele, quando grande parte do orçamento é direcionada ao custeio da máquina pública, a capacidade de investimento em obras acaba reduzida.
Transferências e plano fiscal
Ao explicar sua posição, Lands afirmou que defende prioritariamente o uso das chamadas transferências voluntárias — repasses federais que não exigem devolução. Na avaliação dele, esse tipo de recurso permite a execução de obras sem ampliar o endividamento público dos municípios.
Entretanto, repasses dessa natureza para projetos de grande porte são raros em cidades com classificação baixa na Capag, que frequentemente enfrentam dificuldades para comprovar contrapartidas financeiras.
Na tentativa de reorganizar as contas públicas e evitar agravamento da situação fiscal, a Prefeitura de Campo Grande aderiu ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal. O programa prevê medidas de controle de gastos e limitações ao crescimento das despesas públicas.
Posicionamento da prefeitura
Após a publicação da reportagem, a prefeitura se manifestou sobre o tema. Em nota, a administração municipal afirmou que a classificação do município na Capag não interfere na aprovação de projetos no Novo PAC, já que os recursos dessas obras seriam provenientes do Orçamento Geral da União, que não depende dessa avaliação.
Segundo o comunicado, o município aderiu ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal em novembro de 2025, com vigência até 2028. O programa autoriza a contratação de até R$ 624,3 milhões em operações de crédito com garantia da União, liberadas gradualmente após análise da Secretaria do Tesouro Nacional e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
A nota também informa que o plano estabelece medidas para controlar o crescimento das despesas e promover ajustes na organização financeira do município.
Texto editado às 10h52 de 11 de março para inclusão do posicionamento da prefeitura.
fonte: topmidianews.




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