Futuro do antigo Cine Campo Grande é discutido em audiência pública na Câmara
Prédio foi fechado em 2012 e atualmente está sob gestão do SESC
Cine Campo Grande foi destaque no debate / Reprodução CMCG A Câmara Municipal de Campo Grande promoveu, nesta quarta-feira (8), uma audiência pública para debater o futuro do cinema e do audiovisual na Capital. A discussão, proposta pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), reuniu produtores, cineastas, professores e estudantes em torno de um consenso: o setor está em crescimento, mas ainda enfrenta falta de estrutura e de políticas públicas mais efetivas.
Entre os principais temas abordados estiveram a valorização dos profissionais, formas de incentivo, economia criativa e geração de empregos. A avaliação geral é de que Campo Grande ainda não reconhece o audiovisual como um eixo estratégico para o desenvolvimento econômico.
A vereadora Luiza Ribeiro defendeu a criação de políticas mais sólidas. Segundo ela, existem recursos disponíveis — cerca de R$ 3 milhões para o município e R$ 9 milhões para o Estado —, porém falta organização para transformar esse potencial em ações concretas.
Destino
Um dos assuntos centrais foi o futuro do antigo Cine Campo Grande, fechado desde 2012. O prédio, atualmente administrado pelo Sesc, voltou a ser discutido após tentativas frustradas de leilão. A proposta defendida por artistas é objetiva: transformar o local em um cinema público municipal.
O argumento é claro — aproximadamente 90% das produções locais não chegam ao público. Entre os principais obstáculos estão o alto preço dos ingressos e a falta de cinemas de rua.
A audiência também ressaltou o crescimento do setor no Estado, incluindo o avanço do cinema indígena e o trabalho de produtoras independentes. Para o meio acadêmico, a discussão vai além da cultura, sendo também uma questão de formação política.
Ao final, foram sugeridas medidas como a valorização da categoria, revisão de leis, uso de recursos do FMIC e Fomteatro — que podem alcançar R$ 8 milhões — e a reformulação do Plano Municipal de Cultura.
Atualmente, dois projetos já estão em tramitação na Câmara: um que propõe levar o audiovisual para as escolas municipais e outro que regulamenta produções em espaços públicos.
A possibilidade de parceria com a TV Câmara também foi discutida, como forma de ampliar a exibição das produções locais. No fundo, permanece o recado do setor: sem políticas públicas bem estruturadas, Campo Grande continua produzindo, mas não exibindo — o que, na prática, torna sua própria cultura invisível.
Fonte: www.topmidianews.com.br





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