Sindicato apoia greve de terceirizados da limpeza das UPAs e convoca assembleia para sexta
Desde esta terça-feira (9), funcionários de algumas unidades já interromperam as atividades por conta própria, mas é preciso cautela
Maps O STEAC-MS (Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Asseio e Conservação de Mato Grosso do Sul) declarou apoio à mobilização dos funcionários da Produserv Serviços Ltda., responsável pela limpeza das unidades de saúde de Campo Grande, mas destacou que uma eventual paralisação oficial deverá seguir os prazos e exigências previstos na legislação trabalhista.
A mobilização dos trabalhadores ocorre em meio a denúncias de atrasos salariais, falta de benefícios e condições precárias de trabalho. Desde esta terça-feira (9), funcionários de algumas unidades já interromperam as atividades de forma espontânea. A categoria afirma que o serviço só será normalizado após a regularização de todos os pagamentos pendentes.
Em entrevista ao TopMídiaNews, o presidente do STEAC-MS, Ton Jean Ramalho Ferreira, afirmou que o sindicato acompanha a situação da empresa desde o início da prestação de serviços no município e disse que os problemas relatados pelos trabalhadores não são recentes.
Segundo ele, ao longo dos anos, parte dos funcionários teria deixado de procurar apoio sindical por receio de represálias. O dirigente citou casos em que trabalhadores teriam sido desligados após buscar orientação sobre direitos trabalhistas.
“O trabalhador muitas vezes não é assistido quando há falta de pagamento ou benefícios. Em alguns casos, existe receio de procurar ajuda. Já tivemos situações em que funcionários vieram ao sindicato durante o intervalo e acabaram sendo demitidos posteriormente”, afirmou.
Apesar de manifestar apoio às reivindicações, o sindicato esclareceu que a paralisação iniciada em algumas unidades não foi organizada formalmente pela entidade.
“Como se trata de um serviço essencial, existe a necessidade de comunicação prévia de 72 horas antes de uma greve legalizada”, explicou o presidente.
O STEAC-MS informou ainda que notificou oficialmente a empresa Produserv e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) sobre a possibilidade de paralisação e convocou assembleia geral para a próxima sexta-feira (12), às 8h, com segunda chamada às 8h30, na sede do sindicato. Caso os salários não sejam regularizados, a categoria poderá deliberar por uma greve formal.
Segundo o sindicato, a principal reivindicação é o pagamento dos salários atrasados. No entanto, os trabalhadores também relatam outros problemas, como falta de materiais de limpeza, atraso no vale-alimentação e vale-transporte, dificuldades para concessão de férias e falhas no repasse de empréstimos consignados descontados em folha.
A situação se soma a um relatório do Conselho Municipal de Saúde (CMS), que apontou irregularidades na execução do contrato da Produserv. O documento identificou déficit de 83 trabalhadores em 78 unidades de saúde fiscalizadas, além da falta recorrente de insumos básicos como papel higiênico, sabonete líquido, desinfetantes e sacos de lixo.
De acordo com o levantamento, algumas unidades chegaram a realizar a limpeza apenas com água, diante da ausência de materiais adequados. O CMS estima que a defasagem de pessoal possa representar prejuízo superior a R$ 3,2 milhões por ano e recomenda auditoria no contrato, que ultrapassa R$ 34 milhões.
Enquanto aguardam uma solução, os trabalhadores afirmam que a mobilização deve continuar. “Tem gente com aluguel, água e luz atrasados porque não recebeu. Vamos voltar ao trabalho quando recebermos tudo o que é nosso por direito”, disse uma funcionária à reportagem.
Fonte: www.topmidianews.com.br
Reprodução: www.msagoraurgentenews.com.br





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