Fábio Trad apresenta plano de combate ao feminicídio com agentes comunitários de prevenção e patrulha especializada.
O candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pela coligação "Por um MS do Povo", Fábio Trad, apresentou propostas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher e ao combate ao feminicídio no Estado.
Foto: Antônio Arguello Fábio Trad apresenta plano de combate ao feminicídio com agentes comunitários de prevenção e patrulha especializada.
Em entrevista concedida ao programa do jornalista Carlos Araújo na Rádio Hora 92.3 FM, nesta segunda-feira (31), no encerramento do Agosto Lilás, o candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad (PT), apresentou um conjunto de propostas estruturais para a segurança pública, com foco na prevenção da violência doméstica e na prevenção ao feminicídio.
Fábio Trad criticou a atuação da atual gestão estadual no enfrentamento à violência de gênero, classificando-a como reativa. "Diagnóstico: o governo Riedel só atua depois que a mulher morre e não atua bem", declarou o candidato. Para mudar esse cenário e reduzir o índice de mortes violentas no estado, Trad detalhou os quatro pilares de sua proposta para a segurança pública:
Agentes comunitários de prevenção: Criação de uma nova carreira de servidores públicos ligados à Secretaria de Segurança Pública. "Primeiro, a criação de uma classe de servidores públicos nova, constituída por servidores e servidoras, homens e mulheres, denominada Agentes Comunitários de Prevenção e Proteção à Violência Doméstica e Infantil. Nos moldes dos agentes comunitários de saúde, eles vão fazer o trabalho de prevenção, visitando as casas. Precisa chegar antes do feminicídio, não depois".
Pelotão Maria da Penha: Estruturação de um grupamento ostensivo e treinado dentro da Polícia Militar. "Nós vamos criar o Pelotão Maria da Penha, um pelotão especializado, ostensivo, com policiais militares femininos e masculinos, treinados de acordo com a Lei Maria da Penha, percorrendo, mostrando a força ostensiva e preventiva da nossa gloriosa Polícia Militar".
Delegacias 24h no interior: Ampliação e adequação do atendimento da Polícia Civil. "E vamos também investir na construção de mais Delegacias de Atendimento à Mulher nas pequenas cidades. A maior incidência de feminicídio é em cidade pequena do interior, e muitas vezes ocorre pela madrugada e, durante a madrugada, as delegacias estão fechadas. Nós precisamos fazer DEAMs 24 horas".
Autonomia econômica: Implementação de políticas de suporte financeiro e inserção no mercado de trabalho para romper o ciclo de violência. "Nós temos que fazer a reinserção ao trabalho dessa mulher, porque nós temos que dar independência econômica à mulher. Muitas vezes, por conta da dependência econômica, ela volta para o agressor, e isso nós não podemos admitir".
Outros temas
Na mesma sabatina, o candidato também abordou gargalos na saúde pública, cobrou a realização de cirurgias e o fornecimento de medicamentos na rede estadual, além de defender a reestruturação do setor esportivo em Mato Grosso do Sul como política preventiva de saúde e inclusão social.
Fábio Trad defendeu a reestruturação do esporte sul-mato-grossense, propondo a adequação do estado à lógica do Sistema Nacional de Esporte para facilitar o repasse de recursos federais fundo a fundo. Segundo o candidato, o investimento em atividades esportivas atua diretamente na prevenção de saúde pública e afasta os jovens da vulnerabilidade social.
Além de destacar o fortalecimento da rede de apoio aos para-atletas, Trad abordou a necessidade de firmar parcerias com o setor privado para alavancar o futebol local, citando como exemplo o avanço de estados vizinhos como Mato Grosso. O candidato relembrou a época áurea do futebol sul-mato-grossense na década de 1970 e criticou a demora nas obras de liberação do Estádio Morenão, prometendo transformar o incentivo esportivo em uma política permanente de Estado.
Indagado sobre os números de pesquisas eleitorais divulgados recentemente, o candidato afirmou não ser essa sua preocupação principal.
“A minha preocupação é com filas da saúde, estradas esburacadas. A cada 11 dias uma mulher morre em Mato Grosso do Sul. Os salários estão muito curtos e não fecham um mês, não cobrem um mês. Os trabalhadores estão desgostosos e descontentes com a saúde pública. Falta de remédio, falta de médico especialista, falta de leito, falta de vaga, falta de cirurgia. Muita gente adoecendo e paga imposto em dia e não tem saúde pública adequada por conta da incompetência do governo Riedel. É isso que me preocupa”, enumerou.
Na sequencia, afirmou estar na campanha eleitoral para apresentar propostas efetivas e concretas. “Nós temos uma equipe de jovens estudiosos, entusiasmados, dispostos a mudar com segurança e competência Mato Grosso do Sul”, afirmou.
Argumentou, ainda, que o estado está sendo comandado há muito tempo pelo mesmo grupo político, apesar de resultados que não mudam para melhor a vida da maioria. “Chega desse mesmo grupo. É uma panelinha que dominou o poder de Mato Grosso do Sul de forma truculenta desde 2015 e querem ficar até 2055 no poder. Isto é um absurdo, nós temos que oxigenar, nós temos que renovar a política de Mato Grosso do Sul com ideias novas, conceitos novos, grupos novos de poder para que Mato Grosso do Sul cresça, mas cresça com distribuição de renda e justiça social”, defendeu.
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