PERDENDO DE LAVADA NAS PESQUISAS, HADDAD SOFRE CORTE DE RECURSOS DO PRÓPRIO PT EM SÃO PAULO
Direção nacional do PT determina cortes de gastos na campanha de Fernando Haddad, incluindo demissões na comunicação, em meio a pesquisas que apontam Tarcísio de Freitas à frente na disputa pelo governo de São Paulo.
Foto: Divulgação CORTES NA CAMPANHA DE HADDAD ATINGEM EQUIPE DE COMUNICAÇÃO EM MEIO À VANTAGEM DE TARCÍSIO NAS PESQUISAS.
A campanha de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo enfrenta uma redução de despesas determinada pela direção nacional do Partido dos Trabalhadores. A medida atingiu diretamente a estrutura de marketing e comunicação da candidatura e ocorre na reta final do primeiro turno.
Segundo informações divulgadas sobre a campanha, a orientação para diminuir os gastos resultou na dispensa de integrantes da equipe de comunicação. Otávio Antunes, responsável pelo marketing da candidatura petista, confirmou que recebeu a determinação do diretório nacional e precisou reduzir sua equipe.
Também foram relatadas mudanças nos investimentos em publicidade digital. Informações sobre a campanha apontaram redução das ações de impulsionamento nas redes sociais após o corte de recursos. Antunes, porém, confirmou a determinação geral de contenção de despesas, sem confirmar especificamente a suspensão dos repasses destinados ao impulsionamento.
A decisão ocorre enquanto pesquisas recentes mostram Tarcísio de Freitas (Republicanos) à frente de Haddad na disputa pelo governo paulista. No levantamento Datafolha divulgado em 11 de setembro, Tarcísio registrou 49% das intenções de voto, contra 29% de Haddad. A pesquisa ouviu 1.610 eleitores entre 8 e 10 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Na apuração considerando apenas os votos válidos, Tarcísio apareceu com 56%, enquanto Haddad registrou 32%. Outros levantamentos recentes também apontaram vantagem do atual governador. O RealTime Big Data registrou 53% para Tarcísio e 36% para Haddad, enquanto o Paraná Pesquisas apresentou 49,7% e 34,5%, respectivamente. Os números representam o cenário registrado no período de cada levantamento e não constituem previsão do resultado eleitoral.
Os gastos com comunicação representam uma parcela expressiva das despesas da campanha petista. Dados apresentados pelas candidaturas ao Tribunal Superior Eleitoral mostram que Haddad havia destinado R$ 6,5 milhões à empresa de Otávio Antunes, valor correspondente a 53% dos gastos registrados pela campanha até aquele momento. O impulsionamento de publicações nas redes sociais aparecia em seguida, com R$ 1,3 milhão.
A concentração de recursos na área de marketing ajuda a dimensionar o impacto dos cortes determinados pela direção nacional do partido. Com a redução da estrutura, a campanha precisa reorganizar sua comunicação e definir quais ações terão prioridade na reta final da disputa.
O cenário eleitoral também aumenta a pressão sobre a candidatura petista. Os levantamentos divulgados em setembro registraram vantagem de Tarcísio tanto no primeiro turno quanto em um eventual segundo turno. No Datafolha, o governador aparece com 56% contra 35% de Haddad em uma eventual segunda rodada.
A redução dos gastos, portanto, ocorre simultaneamente a um momento de diferença relevante nas pesquisas. A campanha de Haddad terá de administrar os recursos disponíveis e reorganizar sua estrutura de comunicação enquanto busca alterar o cenário registrado pelos levantamentos.
Apesar dos números das pesquisas, o resultado da eleição somente será definido pelos votos depositados nas urnas. Os levantamentos eleitorais retratam o momento em que são realizados e estão sujeitos a alterações até a data da votação.
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