PF INDICIA DANIEL VORCARO, EX-PRESIDENTE DO BRB E MAIS 13 PESSOAS EM INVESTIGAÇÃO SOBRE FRAUDE BILIONÁRIA
Relatório da Polícia Federal identifica R$ 12,2 bilhões em ativos fictícios ou sem comprovação e solicita mais 60 dias para finalizar as investigações.
Foto: Divulgação PF INDICIA 15 PESSOAS EM INVESTIGAÇÃO SOBRE FRAUDES BILIONÁRIAS NO BANCO MASTER E NO BRB
Relatório de mais de 700 páginas aponta R$ 12,2 bilhões em ativos falsos ou sem comprovação, atribui papel central a Daniel Vorcaro e pede mais 60 dias para concluir diligências.
A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (28), o relatório final do inquérito que investiga suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Com mais de 700 páginas, o documento formaliza o indiciamento de 15 pessoas, incluindo o controlador do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
Segundo a investigação, as operações entre as duas instituições envolveram a aquisição, pelo BRB, de carteiras de crédito avaliadas em R$ 17,5 bilhões. Desse total, pelo menos R$ 12,2 bilhões corresponderiam a ativos considerados falsos ou cuja existência não foi comprovada, conforme os elementos reunidos pela PF.
Os investigadores apontam Vorcaro como suposto líder da organização criminosa investigada. De acordo com o relatório, ele teria ocupado posição central nas decisões relacionadas às transações e seria o principal beneficiário econômico das operações.
O documento também atribui responsabilidades a Paulo Henrique Costa pela condução de operações financeiras durante sua gestão à frente do BRB. Para a Polícia Federal, sua atuação teria contribuído para viabilizar as transações e contornar mecanismos de controle interno da instituição pública.
Um dos aspectos destacados no relatório é o uso de planilhas eletrônicas encaminhadas pelo Banco Master para dar suporte a operações de grande valor. Conforme os investigadores, a diretoria do BRB teria se baseado nesses documentos sem realizar verificações suficientes para confirmar a existência dos créditos negociados.
Os 15 indiciados foram enquadrados, segundo a PF, em suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O indiciamento representa a conclusão da polícia sobre os indícios reunidos, mas não equivale a uma condenação judicial.
O relatório foi enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Junto às conclusões do inquérito, os delegados solicitaram mais 60 dias para dar continuidade às investigações, com o objetivo de concluir exames periciais e realizar diligências complementares.
A prorrogação, segundo a PF, permitirá aprofundar a análise de documentos e das movimentações financeiras ligadas às operações entre o Banco Master e o BRB. A intenção é esclarecer detalhes das transações e ampliar a compreensão sobre a participação dos envolvidos.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março de 2026, conforme as informações divulgadas sobre o caso. O indiciamento do banqueiro e dos demais investigados amplia o alcance da apuração sobre as operações e a atuação de dirigentes das instituições financeiras.
As defesas dos principais indiciados negam a existência de irregularidades. Com a entrega do relatório, caberá ao STF analisar as conclusões apresentadas e os pedidos formulados pela Polícia Federal, enquanto as diligências complementares seguem pendentes.
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