BOMBA: CONSÓRCIO FECHA QUATRO CONTRATOS COM ADRIANE LOPES EM APENAS UMA SEMANA E ACUMULA R$ 5,3 MILHÕES
Prefeitura de Adriane Lopes firmou contrato com empresa responsável pela elaboração do projeto do Terminal Tiradentes.
Foto: Divulgação CONSÓRCIO ABERTO EM 2025 CONQUISTA QUATRO CONTRATOS NA GESTÃO ADRIANE LOPES E ULTRAPASSA R$ 5 MILHÕES
Empresa mineira foi contratada para elaborar projetos de engenharia e infraestrutura em Campo Grande. Administrador já disputou eleição como candidato a vice-prefeito pelo Avante, partido ligado politicamente ao marido da prefeita. Terminal Tiradentes, prometido desde 2015, volta ao planejamento após anos de espera.
Em apenas uma semana, a Prefeitura de Campo Grande publicou quatro contratos com o Consórcio Taquari para a elaboração de projetos de engenharia e infraestrutura. Os valores detalhados nos documentos oficiais ultrapassam R$ 5,1 milhões. Somado a outro contrato de R$ 1 milhão mencionado no levantamento, o montante destinado à empresa pela administração da prefeita Adriane Lopes (PP) supera R$ 6 milhões.
A movimentação chama a atenção pelo histórico recente da empresa. Conforme reportagem publicada pelo jornal O Jacaré, o Consórcio Taquari foi constituído em fevereiro de 2025, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Seu administrador, Raphael Eduardo de Melo e Silva, já concorreu ao cargo de vice-prefeito de Brumadinho, em 2024, pelo Avante — mesma legenda à qual é ligado o deputado estadual Lídio Lopes, marido da prefeita de Campo Grande.
Na quinta-feira (29), a prefeitura publicou dois contratos com o consórcio. O primeiro, no valor de R$ 903 mil, prevê a elaboração dos projetos de engenharia e arquitetura do Terminal de Transporte Público Tiradentes. O segundo, de R$ 605 mil, destina-se ao desenvolvimento de projetos para a requalificação das calçadas no entorno de oito terminais de transbordo urbano e de uma estação de embarque e desembarque.
Outros dois contratos foram divulgados no Diário Oficial na terça-feira (27). Um deles, de R$ 543,7 mil, prevê a elaboração de estudos e projetos para a construção de um viaduto na Avenida Gury Marques, em substituição à atual rotatória.
O segundo contrato, de aproximadamente R$ 3,1 milhões, tem como objeto a elaboração de estudos e projetos para implantação de infraestrutura em diferentes bairros da Capital. O documento, entretanto, não especifica quais intervenções ou projetos serão contemplados.
Os quatro valores discriminados nos contratos somam aproximadamente R$ 5,15 milhões. A quantia supera os R$ 4,3 milhões inicialmente atribuídos às quatro contratações no levantamento que motivou a reportagem, diferença que precisa ser esclarecida. Com a inclusão de outro contrato de R$ 1 milhão citado no levantamento, o volume de recursos relacionados ao consórcio ultrapassa R$ 6 milhões.
O Consórcio Taquari é formado pela Objetiva Projetos e Serviços, sediada em Belo Horizonte, e pela Schettini Engenharia, de Campo Grande. Raphael Eduardo de Melo e Silva aparece como administrador e também está à frente de outras empresas. Em 2024, ele disputou a eleição municipal de Brumadinho como candidato a vice-prefeito pelo Avante.
PROMESSA QUE SE ARRASTA HÁ MAIS DE UMA DÉCADA
Entre os projetos contratados está o Terminal de Transporte Público Tiradentes, uma obra anunciada há anos em Campo Grande, mas que ainda não saiu do papel. A estrutura foi planejada para a Avenida Ministro João Arinos, na esquina com a Rua Cacildo Arantes.
A construção do terminal é prometida desde 2015. Naquele período, a proposta, assim como a implantação de outras três estruturas — nos bairros e regiões das avenidas dos Cafezais, Parati e São Francisco —, foi incluída no Plano Plurianual (PPA) 2014/2017, com previsão de entrega ainda em 2015.
Posteriormente, o projeto voltou a aparecer no planejamento municipal, com prazo de execução até 2021. Apesar das previsões, a obra não chegou sequer à fase de licitação.
Agora, anos depois das primeiras promessas, a administração municipal volta a destinar recursos para a elaboração do projeto do Terminal Tiradentes. A contratação reacende os questionamentos sobre o tempo de espera por uma estrutura anunciada há mais de uma década e sobre a efetiva execução das intervenções planejadas para melhorar a mobilidade urbana da Capital.
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