MENSAGENS DA PF REVELAM PRESENTE DE LUXO A SECRETÁRIO QUE HOJE ATUA NO GABINETE DE LULA
Relatório da Polícia Federal analisa mensagens sobre supostas intermediações de contratos no Ministério da Saúde e cita Swedenberger Barbosa, atualmente na estrutura do Palácio do Planalto, além de um suposto presente de obra de arte.
Foto: Divulgação RIO DE JANEIRO — Relatório da Polícia Federal aponta que teria havido tentativa de intermediação de contratos no Ministério da Saúde envolvendo pessoas próximas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger.
Segundo a investigação, que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça, três frentes de negociação não avançaram:
– Canabidiol: proposta para fornecimento de 1,2 milhão de frascos, com valor estimado em R$ 627 milhões. A negociação envolveria empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, entre elas a WorldCann. De acordo com a PF, Roberta teria se apresentado como porta-voz de Lulinha e esperado receber 20% de comissão.
– Testes de dengue: tratativas para um contrato estimado em aproximadamente R$ 1 bilhão destinado ao fornecimento de kits de diagnóstico, por meio de uma empresa importadora localizada em Santana de Parnaíba.
– Iquego: propostas de parceria com o laboratório público de Goiás, que não receberam aprovação da área técnica responsável.
A PF também cita mensagens de janeiro de 2025 nas quais Roberta Luchsinger teria cobrado uma atuação de Lulinha antes de sua mudança para a Espanha. Em outros diálogos, a lobista menciona a possibilidade de “colocar Fábio em cima do Berge”, em referência a Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde e atualmente chefe de gabinete adjunto no Palácio do Planalto.
A investigação também analisa a possível entrega de uma obra de arte. Embora tenha sido mencionado um valor de 100 mil euros, equivalente a cerca de R$ 600 mil, não há, até o momento, comprovação pública nos autos sobre o valor ou sobre a identificação da obra. Os relatórios divulgados registram agradecimentos relacionados a um quadro emoldurado e apontam pagamentos entre R$ 217 mil e R$ 250 mil referentes a despesas de Marco Aurélio Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Lula. Ele afirma que os valores tiveram origem em um empréstimo pessoal.
O Ministério da Saúde informou que nenhuma das iniciativas mencionadas chegou a ser efetivamente encaminhada e que as compras realizadas pela pasta seguem procedimentos de concorrência pública.
Swedenberger Barbosa afirmou, em nota, que as suspeitas não procedem. As defesas de Fábio Luís Lula da Silva e Roberta Luchsinger também negam qualquer atuação ilegal, ressaltando que nenhum contrato foi firmado e que não existe comprovação de que os R$ 300 mil em espécie movimentados pelo motorista de Roberta tenham sido utilizados para custear passagens.
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