PF INVESTIGA PAULO GUEDES POR ELO COM SUPOSTA PIRÂMIDE FINANCEIRA DE CRIPTOMOEDAS
Investigação sob sigilo apura eventual vínculo do ex-ministro da Economia com a plataforma OnilX, suspeita de envolvimento em operações financeiras irregulares e já alvo de medidas da CVM e de processos movidos por investidores.
Foto: Divulgação PF INVESTIGA PAULO GUEDES POR POSSÍVEL LIGAÇÃO COM PLATAFORMA SUSPEITA DE PIRÂMIDE FINANCEIRA.
Inquérito que tramita na Justiça Federal do Paraná apura a atuação do ex-ministro em reuniões estratégicas da OnilX, enquanto investidores relatam prejuízos e dificuldades para recuperar os valores aplicados.
A Polícia Federal (PF) conduz uma investigação sob sigilo que envolve o ex-ministro da Economia Paulo Guedes. A apuração busca esclarecer uma possível participação dele em atividades relacionadas a crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, em conexão com a plataforma de ativos virtuais OnilX.
O inquérito tramita na 9ª Vara Federal de Curitiba e examina a relação entre Guedes, que integrou o governo de Jair Bolsonaro, e a empresa. Investidores acusam a plataforma de funcionar como uma espécie de pirâmide financeira, alegação que está entre os pontos analisados pelas autoridades.
A investigação também coloca em evidência a associação pública do ex-ministro com um negócio que passou a acumular reclamações de clientes, relatos de prejuízos e dificuldades para recuperar recursos investidos. A dimensão dessa relação e o eventual papel de Guedes ainda dependem do esclarecimento dos fatos apurados.
Entre os elementos reunidos na investigação, relatórios apontam que o ex-ministro teria prestado consultoria à OnilX e participado de encontros voltados a decisões estratégicas da empresa. A PF busca esclarecer a natureza desses serviços e o grau de envolvimento de Guedes nas atividades da plataforma.
Outro ponto sob análise é se o nome e a trajetória do ex-ministro foram utilizados para transmitir credibilidade ao negócio e incentivar investidores a realizar aportes de maior valor. A hipótese é de que sua imagem possa ter sido explorada como argumento para conferir aparência de legitimidade à operação, mas essa eventual utilização ainda precisa ser comprovada.
A OnilX também enfrenta questionamentos de órgãos reguladores e na Justiça. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspendeu ofertas relacionadas à empresa, que, segundo as informações apresentadas, responde a mais de uma centena de ações judiciais movidas por clientes que afirmam não conseguir retirar o dinheiro aplicado.
A apuração inclui ainda a relação de Guedes com Fábio Lino de Almeida, apontado como proprietário da plataforma e figura central do caso. A conexão entre os dois é examinada no contexto de possíveis irregularidades financeiras, cuja extensão e responsabilidades individuais ainda precisam ser determinadas.
Procurados pela imprensa para comentar a investigação e esclarecer a participação atribuída ao ex-ministro, os advogados de Paulo Guedes não se manifestaram. O silêncio da defesa mantém sem resposta pública os questionamentos sobre a relação dele com a OnilX.
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