UNIÃO BRASIL E PP BARRAM PROJETO DE TEREZA CRISTINA AO SENADO E DEIXAM SENADORA ISOLADA
Sem respaldo do PP e do União Brasil, Tereza Cristina perde força na articulação política e fica sem sustentação partidária para disputar espaço contra Davi Alcolumbre.
Foto: Waldemir Barreto/Agência UNIÃO PROGRESSISTA FECHA COM ALCOLUMBRE E DEIXA TEREZA CRISTINA SEM APOIO PARA DISPUTA NO SENADO.
Federação formada por PP e União Brasil descarta candidatura da senadora à presidência da Casa; chegada de novas parlamentares não garante apoio suficiente para enfrentar a articulação em torno do atual presidente.
A Federação União Progressista decidiu apoiar a tentativa de reeleição do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Em comunicado, os presidentes nacionais do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda, afastaram a possibilidade de lançamento da candidatura de Tereza Cristina (PP-MS), que pretendia disputar o comando do Congresso Nacional e se tornar a primeira mulher a ocupar o cargo.
Diante do posicionamento das lideranças partidárias, a senadora divulgou uma nota na qual destacou a chegada de 12 novas integrantes à bancada feminina em 2027. A manifestação, porém, não representa necessariamente uma ampliação de sua base de apoio. Entre as futuras senadoras mencionadas, quatro são identificadas com partidos de esquerda: Luzianne Lins (Rede-CE), Marília Arraes (PDT-PE), Marília Campos (PT-MG) e Samanda do Lula (PT-RN). Conforme o cenário descrito, elas não devem apoiar a candidatura de Tereza Cristina.
A composição partidária da nova bancada também impõe obstáculos à articulação da parlamentar. Apenas Gracinha Caiado pertence ao União Brasil, enquanto nenhuma das novas senadoras é filiada ao PP, partido de Tereza Cristina. Além disso, as três representantes do PL — Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Carol de Toni — devem apoiar o nome indicado pela legenda, o senador Rogério Marinho.
Enquanto Tereza tenta ampliar o diálogo entre as parlamentares, Alcolumbre se prepara para a disputa com o respaldo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de setores do Centrão, fortalecendo sua articulação pela permanência no comando da Casa.
Em sua manifestação, a senadora contestou a definição antecipada do cenário político e argumentou que os novos integrantes do Senado ainda não foram diplomados, portanto devem ter espaço para manifestar suas posições no momento adequado.
“Observamos que os 54 novos senadores eleitos e reeleitos sequer foram diplomados e têm todo o direito de expressar, no momento apropriado, sua vontade e, naturalmente, a dos eleitores que representam. Como líder veterana, estarei aqui para receber meus colegas, especialmente as 12 novas integrantes da bancada feminina”, declarou.
Tereza Cristina também defendeu a importância da conversa entre os parlamentares e afirmou que pretende ouvir os novos colegas. “Quero ouvir todos, como sempre fiz, pois o diálogo no Parlamento é tudo”, acrescentou a líder do PP.
O episódio não é o primeiro em que a senadora vê uma pretensão eleitoral frustrada por decisões de lideranças políticas. Em 2022, seu nome foi rejeitado por Jair Bolsonaro para compor a chapa presidencial como candidata a vice. Neste ano, segundo o texto, Flávio Bolsonaro também não a escolheu para a posição.
O cenário atual remete ainda à disputa de 2018, quando Simone Tebet tentou chegar ao Senado sem o apoio oficial do MDB. Na ocasião, o partido lançou Renan Calheiros, de Alagoas, e Tebet concorreu de forma independente. Renan acabou eleito.
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