BOMBA: DENASUS APONTA NOVO ROMBO NA SAÚDE DE CAMPO GRANDE ALÉM DE R$ 71,1 MILHÕES, AUDITORIA IDENTIFICA IRREGULARIDADES EM R$ 7,3 MILHÕES REPASSADOS PELO ESTADO
Denasus aponta irregularidades em mais R$ 7,3 milhões repassados pelo Estado e amplia a cobrança sobre mais um escândalo da gestão Adriane, que também deverá devolver R$ 71,1 milhões ao Fundo Nacional de Saúde.
Foto: Divulgação DENASUS AMPLIA PRESSÃO SOBRE ADRIANE E APONTA MAIS R$ 7,3 MILHÕES SOB SUSPEITA NA SAÚDE DE CAMPO GRANDE.
Além dos R$ 71,1 milhões que a Prefeitura deverá devolver ao Fundo Nacional de Saúde, auditoria identifica falhas em recursos estaduais e recomenda que órgãos de controle apurem a responsabilidade da gestão municipal.
A crise na saúde de Campo Grande ganhou um novo capítulo após o Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus) apontar problemas na aplicação e na prestação de contas de R$ 7,3 milhões repassados pelo Governo do Estado. O valor se soma aos R$ 71,1 milhões que a Prefeitura deverá devolver ao Fundo Nacional de Saúde (FNS) por divergências na documentação. Diante das constatações, o órgão recomendou que instituições estaduais de controle cobrem explicações da gestão da prefeita Adriane Lopes (PP).
Segundo a auditoria, a administração municipal não comprovou adequadamente a destinação dos recursos. Entre as falhas identificadas estão pagamentos de despesas e aquisição de itens não previstos nos contratos, inclusive gastos com pessoal, além da ausência de documentos que justificassem as operações.
Os R$ 7,3 milhões correspondem a dois repasses: R$ 4.530.752,91 e R$ 2.813.582,37. O relatório também questiona a metodologia utilizada para calcular o possível prejuízo aos cofres públicos e ressalta que é necessário comprovar que o dinheiro foi efetivamente aplicado fora de sua finalidade.
A auditoria alerta que a repetição de operações semelhantes em diferentes decretos não demonstra, por si só, a existência de dano ao erário. Cada caso deve ser analisado individualmente, com base na movimentação financeira, documentação que, segundo o relatório, não foi apresentada pela gestão municipal.
O período examinado vai de janeiro de 2023 a dezembro de 2025. Nesse intervalo, a Secretaria Municipal de Saúde passou por diferentes comandos: Sandro Benites permaneceu até fevereiro de 2024; Rosana Leite Melo assumiu no mesmo mês e deixou o cargo em setembro de 2025; entre setembro e dezembro, a pasta ficou sob responsabilidade de um Comitê Gestor coordenado por Ivoni Kanaan Nabhan. Marcelo Vilela assumiu em janeiro de 2026.
Os auditores também destacaram que dificuldades orçamentárias não dispensam o cumprimento das regras legais para a execução de despesas públicas. A Sesau alegou que a insuficiência de recursos e as pressões fiscais enfrentadas pelo Fundo Municipal de Saúde em 2022 e 2023 motivaram medidas excepcionais para manter os serviços. A justificativa, porém, não afasta a exigência de empenho prévio das despesas, conforme ressaltado no relatório.
Os questionamentos sobre a gestão financeira ocorrem em meio a problemas enfrentados pelos usuários da rede municipal, como falta de medicamentos básicos, incluindo dipirona, suspensão de exames, filas para consultas especializadas e insuficiência de leitos hospitalares.
A auditoria teve origem em uma denúncia que apontava possível desvio de R$ 156 milhões do Fundo Municipal de Saúde. Conforme os dados apresentados, o levantamento identificou R$ 71,6 milhões relacionados às irregularidades examinadas, montante que deverá ser objeto de devolução ao Fundo Nacional de Saúde, segundo os apontamentos sobre as falhas na gestão.
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que ainda não havia recebido oficialmente o relatório e que pretende realizar uma reunião com o Serviço de Auditoria do Estado, vinculado ao Denasus, e com a equipe responsável pelo trabalho. A intenção é conhecer os resultados, esclarecer os apontamentos e avaliar as providências cabíveis.
A Prefeitura afirmou que apresentou manifestação técnica sobre o relatório preliminar e recebeu a versão final na quarta-feira (28). Segundo a administração, o documento será analisado pela equipe técnica, considerando os esclarecimentos já prestados e os encaminhamentos necessários. A Secretaria Municipal de Saúde também declarou que o processo seguirá os trâmites administrativos, com compromisso com a correta aplicação dos recursos públicos.
As conclusões ampliam a cobrança por explicações sobre milhões de reais destinados à saúde da Capital. Embora a auditoria ressalte a necessidade de comprovação individualizada dos possíveis prejuízos, as falhas documentais e as despesas questionadas colocam a gestão municipal sob pressão para esclarecer a destinação do dinheiro.
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