LULA PLANEJA NOVA SÉRIE DE VIAGENS AO EXTERIOR ENQUANTO ADIA ANÚNCIO DE MEDIDAS PARA REDUZIR GASTOS PÚBLICOS
Lula prevê agendas internacionais na Turquia, Filipinas, Uruguai e Estados Unidos até dezembro, enquanto o governo posterga medidas de contenção de despesas e ajuste das contas públicas.
Foto: Divulgação LULA PREPARA VIAGENS A QUATRO PAÍSES ENQUANTO ADIA DECISÕES SOBRE CORTE DE GASTOS.
Presidente tem compromissos na Turquia, nas Filipinas, no Uruguai e nos Estados Unidos até dezembro. Medidas para conter despesas e reforçar o ajuste fiscal só deverão ser avaliadas após seu retorno ao Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma sequência de compromissos internacionais entre novembro e dezembro, enquanto a equipe econômica continua trabalhando na elaboração de propostas para controlar as despesas públicas e melhorar os resultados fiscais do governo. A agenda inclui passagens pela Turquia, Filipinas, Uruguai e Estados Unidos, em um período de cobranças por maior previsibilidade na condução das contas públicas.
A primeira viagem está prevista para começar em 9 de novembro, com destino a Antália, na Turquia. Lula participará da cúpula de líderes da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), programada para os dias 11 e 12. O evento reúne representantes de diversos países para discutir ações ambientais, compromissos climáticos e estratégias de enfrentamento das mudanças no clima.
Na sequência, o presidente seguirá para Manila, nas Filipinas, onde terá compromissos bilaterais e participará de atividades relacionadas à Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). A programação prevê a presença de Lula entre os dias 14 e 15 de novembro, prolongando sua agenda fora do Brasil durante a segunda semana do mês.
PACOTE FISCAL FICA PARA DEPOIS DA VIAGEM
Enquanto o presidente organiza os compromissos diplomáticos, a equipe econômica ainda não definiu quais medidas serão adotadas para conter o avanço das despesas públicas. Em reunião realizada no Palácio da Alvorada, em 5 de novembro, ministros, ex-ministros e economistas discutiram o cenário econômico, mas não chegaram a um acordo sobre ações específicas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que ele e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, continuarão trabalhando na elaboração das propostas. A intenção é apresentar as alternativas a Lula depois do retorno da viagem internacional, previsto para 16 de novembro.
Segundo Durigan, o encontro serviu para avaliar a situação econômica e discutir caminhos para melhorar os resultados das contas públicas. A definição das medidas, entretanto, ficou para uma etapa posterior, após novas conversas e avaliações do presidente.
O adiamento mantém em aberto decisões sobre a estratégia fiscal do governo. O mercado financeiro acompanha os sinais de compromisso com o equilíbrio orçamentário, enquanto a equipe econômica busca conciliar a contenção de despesas com a manutenção dos programas e das prioridades da administração federal.
URUGUAI E ESTADOS UNIDOS NA AGENDA DE DEZEMBRO
A programação internacional também prevê uma viagem ao Uruguai nos dias 4 e 5 de dezembro. Em Montevidéu, Lula deverá participar da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, encontro que reúne lideranças dos países integrantes do bloco para discutir integração regional, relações comerciais e os próximos passos da organização.
Outro compromisso está previsto para os dias 14 e 15 de dezembro, na Flórida, nos Estados Unidos, onde será realizada a cúpula do G20, sob a presidência do presidente americano Donald Trump. A participação de Lula está prevista, mas não há confirmação de uma reunião bilateral reservada entre os dois chefes de Estado.
A sequência de viagens amplia a atuação diplomática brasileira nos últimos meses do ano. Ao mesmo tempo, coloca em evidência o desafio de conciliar os compromissos internacionais com as decisões econômicas que permanecem pendentes em Brasília.
CONTAS PÚBLICAS SEGUEM NO CENTRO DO DEBATE
A ausência de medidas concretas após a reunião de 5 de novembro prolonga as dúvidas sobre o formato e a dimensão do esforço fiscal pretendido pelo governo. Entre os pontos que ainda precisam ser definidos estão as despesas que poderão ser revistas, as mudanças nas regras de controle orçamentário e o calendário para eventual implementação das propostas.
Durigan afirmou que o governo pretende reforçar as regras fiscais existentes e buscar uma melhora progressiva do resultado primário. No entanto, os detalhes das iniciativas ainda dependem de avaliação e aprovação de Lula.
Com compromissos no exterior até dezembro e decisões fiscais adiadas para a segunda quinzena de novembro, o governo terá de avançar simultaneamente em sua agenda diplomática e na definição de medidas para administrar as contas públicas. O conteúdo das propostas e sua efetiva implementação serão determinantes para avaliar os próximos passos da política fiscal.
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