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Campo Grande,17/03/2026

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Com STF sob pressão no caso Master, Fachin diz que 'autocontenção não é fraqueza e defende 'humildade institucional'


Com STF sob pressão no caso Master, Fachin diz que 'autocontenção não é fraqueza e defende 'humildade institucional' Ministro Edson Fachin em Sessão Plenária no STF — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Em meio à crise provocada pelo caso Master, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta segunda-feira que tribunais constitucionais precisam exercer “humildade institucional” e resistir à tentação de assumir decisões que deveriam ser tomadas por outros poderes. Segundo ele, “autocontenção não é fraqueza”.


A declaração foi feita durante uma aula magna em uma universidade de Brasília, na qual o ministro abordou os desafios contemporâneos da Suprema Corte e o papel do Judiciário em democracias constitucionais.


Sem mencionar casos específicos, Fachin reconheceu que existe uma tensão permanente entre a atuação de tribunais constitucionais e o princípio democrático, uma vez que ministros não eleitos podem influenciar decisões tomadas por representantes escolhidos pelo voto. De acordo com ele, a legitimidade do Judiciário depende da qualidade das decisões e da fundamentação apresentada.


“Não temos o voto. Temos o argumento da lei e, acima dela, o argumento da Constituição. E, exatamente por isso, não podemos jamais abrir mão de fundamentar nossas escolhas”, afirmou.


Ao tratar da relação entre direito e política, o presidente do STF destacou que a judicialização ampliou significativamente o protagonismo da Corte nas últimas décadas. No entanto, alertou que esse processo pode gerar efeitos negativos quando o Judiciário passa a ocupar espaços que deveriam ser preenchidos pela deliberação política.


Daniel Vorcaro é dono do Banco Master.


“O desafio é reconhecer o protagonismo do sistema político nas funções que lhe cabem. É saber ser forte o suficiente para não precisar fazer tudo”, disse Fachin. Em outro momento, acrescentou: “A autocontenção não é fraqueza; é respeito à separação de Poderes que, em última análise, também é uma exigência constitucional”.


O discurso ocorre em um momento de forte pressão sobre o Supremo após os desdobramentos da investigação envolvendo o Banco Master, que provocou desgaste interno relacionado aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além de abrir um debate sobre o papel da Corte e a atuação de seus integrantes.


Fachin também mencionou desafios específicos enfrentados pelo STF, como o acúmulo de funções de corte constitucional e tribunal recursal, além do alto nível de exposição pública da instituição. As sessões do tribunal são transmitidas ao vivo pela TV Justiça e acompanhadas em tempo real nas redes sociais.


Segundo o ministro, essa visibilidade aumenta a transparência do Judiciário, mas também exige que o tribunal consiga explicar suas decisões de forma clara para a sociedade.


fonte: oglobo.com




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