Erika Hilton aciona MP contra governo de Ratinho Jr. por caso de abuso sexual em escola cívico-militar
Medida ocorre em meio à outra ação da deputada contra o pai do governador, o apresentador de televisão Ratinho, acusado de proferir declarações transfóbicas
A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) — Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou uma representação ao Ministério Público do Paraná (MPPR) pedindo investigação sobre um caso de estupro de vulnerável ocorrido em uma escola cívico-militar no município de Cornélio Procópio, no Paraná. A denúncia envolve a atuação de um policial militar que trabalhava como monitor na unidade.
De acordo com a parlamentar, em 2023 nove meninas, com idades entre 11 e 13 anos, denunciaram o agente por abuso sexual. Mesmo após as acusações, ele teria permanecido trabalhando na mesma escola por cerca de dois anos. O governo do Paraná respondeu por meio da Secretaria de Estado da Educação, informando que os fatos foram apurados e que o funcionário acabou expulso.
Em publicação nas redes sociais, Erika Hilton afirmou que, após as denúncias, o militar deixou a função de inspetor e foi transferido para o setor administrativo da própria escola. Segundo ela, a situação é preocupante porque o profissional continuaria tendo acesso a informações das vítimas e de outras alunas, além de manter o porte de arma.
O Paraná é um dos estados que mais expandiram o modelo de escolas cívico-militares. Durante a gestão do governador Ratinho Júnior (PSD), o sistema foi ampliado e atualmente alcança cerca de 345 unidades. Para a deputada, esse formato é uma bandeira política do governo estadual, mas cria dificuldades para que funcionários civis exerçam controle sobre servidores militares.
A parlamentar também criticou a permanência do policial na unidade escolar após as denúncias. Segundo ela, a decisão representou falha do poder público, pois manteve o suspeito próximo das vítimas em vez de afastá-lo para atividades longe de crianças e adolescentes.
A denúncia citada por Erika Hilton foi divulgada anteriormente em reportagem da BBC News Brasil. Segundo a matéria, as nove estudantes relataram toques indevidos em diferentes ocasiões. O monitor só foi desligado da escola em 2025.
O Ministério Público do Paraná informou que apresentou denúncia criminal contra o policial em setembro de 2024 e pediu o afastamento dele das funções, medida que foi autorizada pela Justiça. Após a fase de instrução do processo, a 2ª Promotoria de Justiça de Cornélio Procópio chegou a se manifestar pela absolvição do réu. Mesmo assim, a Justiça condenou o acusado a 20 anos de prisão. A defesa apresentou recurso e o caso ainda aguarda julgamento no Tribunal de Justiça do Paraná.
Procurado pela imprensa, o governo estadual se manifestou por meio de nota assinada pelo secretário de Educação, Roni Miranda. No comunicado, ele criticou Erika Hilton e afirmou que a deputada já votou contra propostas que endurecem penas para crimes graves, como estupro de vulnerável, homicídio qualificado, latrocínio e feminicídio.
A secretaria também declarou que o caso citado pela parlamentar é antigo e já foi investigado pela pasta, resultando na expulsão do funcionário à época dos fatos.
Menção a Ratinho
A iniciativa da deputada ocorre poucos dias depois de ela ter apresentado outra denúncia, desta vez ao Ministério Público de São Paulo, contra o apresentador de televisão Ratinho, pai do governador do Paraná. Erika acusa o comunicador de ter feito declarações transfóbicas contra ela durante um programa exibido no SBT.
No programa, Ratinho criticou a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, questionando o fato de ela ser uma mulher trans. Em determinado momento, o apresentador afirmou não ter nada contra Erika, mas disse que a escolha seria injusta e chegou a se referir a ela como “a deputada ou o deputado, não sei”.
Ao comentar o episódio nas redes sociais, Erika afirmou que, se o apresentador pretende discutir os direitos das mulheres, deveria dar visibilidade a casos graves envolvendo violência contra meninas, como o denunciado na escola cívico-militar do Paraná.
O pedido apresentado ao Ministério Público de São Paulo solicita a abertura de inquérito policial para apurar possíveis crimes de transfobia, violência política de gênero e injúria transfóbica.
Fonte: oglobo.com.




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