FAMÍLIA VENCE NA JUSTIÇA, AGU RECORRE E MENINA DE SC FICA SEM DOSE CONTRA O CÂNCER
Recurso da Advocacia-Geral da União suspende liminar que determinava o fornecimento de medicamento de alto custo para adolescente com linfoma de Hodgkin; família busca garantir a próxima dose enquanto aguarda nova decisão judicial.
Foto: Divulgação A adolescente Maria Isabela Budske, de 13 anos, moradora de Jaraguá do Sul (SC), enfrenta uma batalha contra o linfoma de Hodgkin, diagnosticado em janeiro de 2025. Após passar por diferentes tratamentos, incluindo transplante de medula, sem obter o resultado esperado, a equipe médica indicou o uso do brentuximabe vedotina, uma imunoterapia considerada fundamental para o caso.
O medicamento, que custa cerca de R$ 38 mil por dose, tornou-se o centro de uma disputa judicial envolvendo a família e a União. A Justiça Federal havia concedido uma liminar determinando que o governo federal fornecesse o tratamento para a adolescente, mas a decisão foi posteriormente contestada pela Advocacia-Geral da União (AGU).
A AGU, que representa judicialmente o governo Lula, recorreu da decisão alegando questões relacionadas aos protocolos de fornecimento de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Após o recurso, um desembargador suspendeu os efeitos da liminar, interrompendo temporariamente a entrega do medicamento.
A família afirma que a situação é urgente, pois a próxima dose do tratamento precisa ser aplicada até 19 de agosto de 2026. Com a suspensão da decisão judicial, os familiares retomaram uma campanha de arrecadação para tentar garantir a continuidade da terapia enquanto aguardam novos desdobramentos na Justiça.
O caso gerou comoção em Jaraguá do Sul e reacendeu o debate sobre a judicialização da saúde no Brasil, especialmente em situações envolvendo medicamentos de alto custo e pacientes que não se enquadram exatamente nos protocolos oficiais do SUS.
O brentuximabe vedotina é disponibilizado pelo SUS desde 2019 para determinados casos de linfoma de Hodgkin, principalmente em adultos dentro de critérios específicos. A ausência de previsão para o uso pediátrico nesse cenário é um dos argumentos utilizados no processo judicial.
A família de Maria Isabela afirma que avaliações médicas apontaram a necessidade do medicamento para o tratamento da adolescente. Segundo os familiares, até mesmo uma junta médica ligada à União teria reconhecido a importância da terapia para o caso.
O governo federal, por meio da AGU, segue a linha adotada em outros processos envolvendo medicamentos de alto custo que estão fora dos protocolos estabelecidos pelo SUS, buscando discutir judicialmente a responsabilidade e os critérios para liberação desses tratamentos.
A situação coloca de um lado a necessidade urgente de uma adolescente em tratamento contra o câncer e, de outro, os debates jurídicos e técnicos sobre a incorporação de medicamentos e a distribuição de recursos públicos na área da saúde.
Enquanto aguarda uma nova decisão judicial, a família continua mobilizada para conseguir o medicamento e manter o tratamento de Maria Isabela, em uma corrida contra o tempo para garantir a continuidade da imunoterapia indicada pelos médicos.





COMENTÁRIOS