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“É O PAGAMENTO MAIS IMPORTANTE QUE TEMOS”: MENSAGENS REVELAM COBRANÇAS DE VORCARO SOBRE CONTRATO COM ESCRITÓRIO DE VIVIANE BARCI DE MORAES

Relatório da PF mostra que Daniel Vorcaro cobrava prioridade nos pagamentos ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes e chegou a orientar funcionários a não atrasarem parcelas


“É O PAGAMENTO MAIS IMPORTANTE QUE TEMOS”: MENSAGENS REVELAM COBRANÇAS DE VORCARO SOBRE CONTRATO COM ESCRITÓRIO DE VIVIANE BARCI DE MORAES Foto: Reprodução

BOMBA NO CASO MASTER: Vorcaro tratava contrato com escritório da esposa de Moraes como “o mais importante” e cobrava pagamento imediato

Mensagens reveladas pela PF mostram pressão dentro do Banco Master para evitar atrasos em contrato que poderia chegar a R$ 131 milhões; em um dos diálogos, banqueiro teria autorizado pagamento “sem nota” e “do jeito que for”

BRASÍLIA — O conteúdo de mensagens apreendidas pela Polícia Federal joga luz sobre um dos pontos mais sensíveis da investigação envolvendo Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo relatório tornado público nesta terça-feira (1º de setembro de 2026), o banqueiro tratava os pagamentos ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, como uma prioridade dentro da instituição financeira.

A expressão utilizada por Vorcaro nas mensagens chama atenção: o contrato seria o “mais importante que temos”. Em outro trecho, diante de um atraso, o banqueiro teria reagido com irritação e determinando que o pagamento fosse feito imediatamente. A PF também registrou uma orientação atribuída a Vorcaro para que as parcelas fossem acompanhadas todos os meses e pagas “sem nota” e “do jeito que for”.

O episódio mais explosivo ocorreu em 15 de março de 2024. Naquele dia, mensagens trocadas em sequência mostram uma cobrança que terminou, segundo o relatório, com a transferência de R$ 3.422.268,14 para a conta do escritório.


Às 14h58, o então ministro das Comunicações Fábio Faria teria enviado mensagem a Vorcaro dizendo que precisava “retornar o careca”. Poucos minutos depois, às 15h07, reforçou: “Manda pagar a ele. O Careca não pode atrasar”.

Na sequência, Vorcaro teria pressionado o sócio Angelo Silva: “Não pagaram Barci de Moraes. (...) Contrato mais importante que temos. Te pedi pra não falhar. Surreal. Vamos ter problemas. Manda pagar agora.”

A cobrança continuou. Em mensagem enviada à funcionária identificada como “Romy Banco Master”, Vorcaro teria determinado que o pagamento não sofresse atraso e que a obrigação fosse colocada sob acompanhamento permanente. O relatório registra ainda a orientação: “Pode pagar sempre, sem nota. Do jeito que for.”

Minutos depois, conforme os investigadores, o pagamento milionário foi efetivado. O comprovante da transferência teria chegado ao próprio Vorcaro pouco depois das cobranças.

O contrato, firmado em janeiro de 2024, previa 36 parcelas mensais e poderia alcançar aproximadamente R$ 129 milhões a R$ 131 milhões. Segundo dados da Receita Federal encaminhados à CPI do Crime Organizado, o Banco Master declarou pagamentos de R$ 80,2 milhões ao escritório entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.


Mas as mensagens reveladas pela PF não param aí.

Em abril de 2025, Vorcaro teria demonstrado preocupação com o acesso ao contrato e orientado Angelo Silva: “Ninguém ter acesso. Vc pegar e não deixar ninguém ter acesso a isso”.

Meses depois, em outubro, outro episódio chamou a atenção dos investigadores. Ao saber que um pagamento havia sido realizado por Pix, o banqueiro teria reagido com apenas duas palavras: “Não é bom”.

O relatório também aponta que Fábio Faria teria intermediado o primeiro contato entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Além disso, metadados de um arquivo indicariam o perfil “Ministro Alexandre de Moraes” como último editor da versão final do contrato, em janeiro de 2024.

Os elementos passaram a ser analisados pela Polícia Federal em conjunto com mensagens, documentos e registros financeiros apreendidos durante a investigação. O objetivo é esclarecer como o contrato foi negociado, quem participou das tratativas e quais serviços foram efetivamente prestados.


O escritório Barci de Moraes nega irregularidades. Em nota, afirmou que Viviane consultou Alexandre de Moraes apenas para verificar eventual existência de impedimentos legais, inclusive relacionados a processos sob relatoria do ministro no STF. A banca sustenta que não havia impedimento e que os serviços contratados foram efetivamente prestados.

O relatório foi tornado público por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O caso segue sob investigação no âmbito da Operação Compliance Zero.

Até o momento, segundo as informações apresentadas no material, as defesas de Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes não haviam se manifestado publicamente sobre o conteúdo específico das mensagens.

A revelação dos diálogos coloca o contrato milionário novamente no centro da investigação e levanta uma série de questionamentos sobre a prioridade dada aos pagamentos, a forma como as operações eram conduzidas e o nível de envolvimento dos diferentes personagens nas tratativas. Agora, as mensagens terão de ser confrontadas com os documentos financeiros e demais provas reunidas pela PF para determinar o real significado das operações.

www.msagoraurgentenews.com.br




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