ESTADÃO: DANIEL DIZ TER INFORMAÇÕES GRAVES SOBRE GOVERNO LULA E DIZ QUE PF BARRA SUA TENTATIVA DE COLABORAÇÃO
Ex-banqueiro afirma ao STF que pretende implicar integrantes do governo Lula e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em nova proposta de colaboração; Polícia Federal contesta acusações e diz que não foram apresentadas provas
Foto: Estadão BOMBA EM BRASÍLIA: Vorcaro ameaça colocar governo Lula e cúpula da PF no centro de nova delação.
BRASÍLIA — O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, elevou dramaticamente a temperatura da crise política ao sinalizar formalmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) a intenção de implicar integrantes do atual governo Luiz Inácio Lula da Silva e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma nova proposta de delação premiada. As declarações constam de um depoimento gravado em vídeo e encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator de medidas relacionadas ao caso.
No relato, prestado sem a participação de agentes da Polícia Federal sob a alegação de falta de segurança, Vorcaro afirmou que suas tentativas anteriores de colaboração teriam sido recusadas de forma deliberada pela corporação. Segundo a versão apresentada pelo ex-banqueiro, a negativa não teria ocorrido por falta de consistência das informações, mas por uma suposta estratégia interna para blindar o comando da instituição.
O ex-banqueiro também declarou possuir informações sobre relações mantidas com integrantes do primeiro escalão do governo federal e citou diretamente Andrei Rodrigues. Segundo Vorcaro, o diretor-geral da PF teria “viajado para eventos” com ele, em referência ao fórum jurídico realizado em Londres, em 2024. O empresário afirma que o evento teria envolvido custos operacionais e benefícios oferecidos a autoridades por uma organização ligada ao Banco Master.
A ofensiva de Vorcaro lança novas suspeitas sobre possíveis conexões entre o Palácio do Planalto, autoridades da área de segurança pública e o sistema financeiro investigado na Operação Compliance Zero. Mensagens já anexadas aos relatórios policiais mostram o ex-banqueiro cobrando interlocutores para acionar “Paulo e Andrei” em meio a tentativas de impedir ou retardar medidas investigativas antes de sua prisão preventiva.
As declarações colocam o governo Lula e a direção da Polícia Federal diante de uma nova frente de pressão. Caso os relatos apresentados por Vorcaro venham acompanhados de documentos, mensagens ou outros elementos independentes de comprovação, o conteúdo poderá provocar novos questionamentos sobre os contatos mantidos pelo empresário com autoridades. Até o momento, entretanto, as acusações permanecem no campo das declarações feitas pelo próprio ex-banqueiro.
Outro lado
Em nota e manifestações de bastidores, a Polícia Federal e interlocutores do diretor-geral Andrei Rodrigues rebateram duramente as acusações. A corporação classificou o depoimento de Vorcaro como uma estratégia jurídica que teria como objetivo tumultuar o processo e pressionar pela reabertura das negociações de colaboração diretamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Investigadores sustentam que, apesar do tom explosivo das declarações encaminhadas ao ministro André Mendonça, Vorcaro não teria apresentado provas documentais ou elementos materiais capazes de comprovar irregularidades atribuídas ao diretor-geral da PF ou a ministros de Estado. Rodrigues afirma que sua participação no evento em Londres ocorreu exclusivamente por razões institucionais e dentro da legalidade.
O confronto de versões coloca o caso Banco Master em uma zona ainda mais delicada. De um lado, Vorcaro apresenta ao STF acusações que podem atingir integrantes do governo e da cúpula da Polícia Federal; de outro, os citados rejeitam as suspeitas e afirmam que o depoimento faz parte de uma estratégia para tentar recuperar espaço nas negociações de uma eventual colaboração premiada.
Agora, o foco se volta para o Supremo Tribunal Federal e para a Procuradoria-Geral da República. Caberá às instituições avaliar se as informações apresentadas por Vorcaro possuem elementos concretos capazes de justificar novas diligências ou se permanecerão apenas como declarações feitas no contexto de sua tentativa de colaboração.
O episódio acrescenta uma nova camada à crise provocada pelo caso Banco Master e amplia o alcance político das acusações. Se surgirem provas independentes para sustentar os relatos, a pressão sobre o governo Lula e sobre a direção da Polícia Federal poderá aumentar significativamente. Até lá, permanece o choque entre a versão apresentada pelo ex-banqueiro e a negativa das autoridades citadas.
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