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ANTES DE ASSUMIR A FAZENDA, RAFAEL TERÁ DE EXPLICAR COMO PRETENDE EQUILIBRAR AS CONTAS QUE ADMINISTRA NO PIAUÍ

Estado registra dívida de aproximadamente R$ 13,6 bilhões e déficit primário de R$ 3,7 bilhões, mas governo também destaca superávit orçamentário e expansão dos investimentos públicos durante a gestão do governador.


ANTES DE ASSUMIR A FAZENDA, RAFAEL TERÁ DE EXPLICAR COMO PRETENDE EQUILIBRAR AS CONTAS QUE ADMINISTRA NO PIAUÍ Foto: Divulgação

CONTAS DO PIAUÍ SOB RAFAEL FONTELES ENTRAM NO RADAR E LEVANTAM DÚVIDAS SOBRE POSSÍVEL COMANDO DA FAZENDA.

Estado acumula déficit primário de R$ 3,7 bilhões e dívida próxima de R$ 13,6 bilhões, mas também apresenta superávit orçamentário, redução do peso da folha salarial e elevados investimentos públicos.

A administração do governador Rafael Fonteles (PT) no Piauí passou a ser alvo de questionamentos sobre a situação das contas públicas em meio às articulações que colocam seu nome entre os possíveis indicados para comandar o Ministério da Fazenda no próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os indicadores fiscais estaduais despertaram a atenção de agentes do mercado financeiro e analistas econômicos, que passaram a examinar os resultados da gestão.

Entre 2023 e 2026, o Piauí acumulou um déficit primário de R$ 3,7 bilhões, conforme levantamento divulgado pela imprensa. O desempenho representa uma diferença expressiva em relação ao período anterior, durante o governo de Wellington Dias (PT), quando o saldo negativo desse indicador foi de R$ 147 milhões.


A evolução da dívida consolidada líquida também aparece entre os principais pontos de atenção. O montante passou de R$ 6,89 bilhões, no fim de 2022, para aproximadamente R$ 13,6 bilhões em 2026, praticamente dobrando ao longo da administração de Fonteles.

O crescimento do endividamento veio acompanhado de uma ampliação das operações de crédito. Desde 2023, o governo estadual contratou R$ 15,2 bilhões em empréstimos respaldados ou garantidos pelo Tesouro Nacional, recursos que ampliaram a capacidade de financiamento de obras e projetos no estado.

Em 2025, as contas públicas piauienses registraram déficit fiscal de R$ 1,25 bilhão. Além disso, o planejamento do próprio governo aponta que a recuperação do equilíbrio fiscal deverá ocorrer apenas em 2029, indicando que o processo de ajuste poderá se prolongar pelos próximos anos.


Por outro lado, a gestão de Fonteles também apresenta resultados positivos em determinados indicadores. Entre 2019 e 2025, o Piauí teve a maior participação proporcional dos investimentos públicos em relação à receita entre as unidades da Federação, alcançando média de 15,2%, segundo levantamento citado pelo jornal O Globo.

Outro dado favorável está relacionado às despesas com pessoal. A participação da folha de pagamento na Receita Corrente Líquida caiu de 42,3%, em 2022, para 37,8% em 2026. Com isso, o estado permaneceu abaixo dos limites de alerta estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O resultado orçamentário também apresenta um quadro diferente do observado no indicador primário. Em quatro anos, o Piauí acumulou superávit de R$ 309 milhões, revertendo o déficit de R$ 886 milhões registrado no período anterior. A diferença evidencia que a avaliação das contas públicas pode apresentar resultados distintos conforme o indicador utilizado.


Na tentativa de controlar o avanço das despesas, Fonteles propôs a adoção de uma regra fiscal estadual inspirada no arcabouço aplicado pelo governo federal. A proposta determina que os gastos correntes não ultrapassem 95% das receitas arrecadadas e estabelece um limite de crescimento real das despesas de 2,5% ao ano.

Embora os números apresentados não caracterizem, por si só, insolvência ou quebra financeira do estado, a ampliação da dívida e a deterioração do resultado primário representam desafios para a administração. Com Rafael Fonteles cotado para assumir o Ministério da Fazenda, o histórico fiscal do Piauí deverá ganhar ainda mais relevância nas discussões sobre sua eventual capacidade de conduzir a política econômica nacional.

O conjunto dos indicadores revela uma gestão com resultados distintos: de um lado, crescimento do endividamento e déficits primários; de outro, superávit orçamentário, redução relativa das despesas com pessoal e expansão dos investimentos públicos. É justamente essa combinação que deverá alimentar o debate sobre a possível escolha de Fonteles para o comando da economia brasileira.

www.msagoraurgentenews.com.br




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