EMPRESÁRIOS COBRAM JUROS MENORES E SINALIZAM PREOCUPAÇÃO COM CONTAS PÚBLICAS EM JANTAR COM LULA
Encontro no Palácio da Alvorada reuniu cerca de 16 empresários e banqueiros, que apontaram a Selic elevada e o cenário fiscal como entraves ao crescimento e aos investimentos
Foto: Divulgação O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na noite de segunda-feira (31), cerca de 16 empresários e banqueiros no Palácio da Alvorada. O encontro durou quase três horas e teve como principais assuntos as críticas ao elevado nível da taxa de juros e as preocupações com a segurança pública, segundo relatos de participantes.
De acordo com pessoas que participaram da reunião, praticamente todos os convidados que se manifestaram apontaram o atual patamar da Selic, próximo de 14% ao ano, como um entrave à atividade produtiva, aos investimentos e também ao setor financeiro, diante do aumento da inadimplência. A segurança pública também apareceu entre os temas abordados de forma recorrente.
A situação fiscal também esteve presente nas discussões, embora tenha recebido diferentes níveis de atenção. Empresários e representantes do setor financeiro teriam defendido maior sintonia entre as políticas fiscal e monetária como forma de criar condições para uma eventual redução dos juros.
Em sua fala final, Lula afirmou que pretende “lutar obstinadamente” por um superávit fiscal caso seja reeleito, mas não apresentou detalhes sobre possíveis medidas de redução de despesas. O presidente também reconheceu que se afastou do setor empresarial durante parte do mandato e voltou a defender a combinação entre responsabilidade fiscal e políticas sociais.
O jantar ocorreu em um momento importante da corrida eleitoral, com Lula buscando estreitar novamente a relação com o setor privado após manifestações de preocupação com o crescimento da dívida pública e o nível dos juros. Embora não tenham sido registradas críticas públicas e diretas ao governo durante o encontro, as intervenções evidenciaram a preocupação dos empresários e banqueiros com o custo do crédito e a sustentabilidade das contas públicas.
O Palácio do Planalto ainda não apresentou uma nota oficial detalhando os assuntos discutidos durante o encontro.
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