ANDRÉ MENDONÇA ESTABELECE PRAZO DE 15 DIAS PARA PGR AVALIAR INDICIAMENTO DE VORCARO, DO BANCO MASTER
Ministro do STF concedeu 15 dias para que a PGR avalie o relatório da Polícia Federal, que indiciou Vorcaro e outros 14 suspeitos por possíveis irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master e o BRB.
Foto: STF ANDRÉ MENDONÇA DÁ 15 DIAS PARA PGR AVALIAR INDICIAMENTO DE VORCARO EM INVESTIGAÇÃO SOBRE O BANCO MASTER.
Ministro do STF determinou que a Procuradoria-Geral da República analise o relatório da Polícia Federal, que aponta possíveis fraudes financeiras envolvendo o BRB e atribui ao esquema um prejuízo estimado em R$ 2,7 bilhões; defesa contesta as conclusões dos investigadores.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (4) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente, em até 15 dias, uma manifestação sobre o relatório da Polícia Federal que indiciou o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e outras 14 pessoas. A decisão marca mais uma fase da investigação sobre possíveis irregularidades financeiras em operações realizadas entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB).
O documento encaminhado pela Polícia Federal foi produzido no âmbito da primeira etapa da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades em transações financeiras entre as duas instituições. Conforme os investigadores, as operações envolveriam a negociação de carteiras de crédito sem lastro real, o que levantou suspeitas sobre a existência de uma estrutura organizada para movimentar recursos de maneira irregular.
A estimativa da Polícia Federal é de que as operações investigadas tenham causado um prejuízo de aproximadamente R$ 2,7 bilhões ao BRB. Entre os negócios analisados está a participação da empresa Tirreno, apontada pelos investigadores como uma possível estrutura de fachada utilizada para negociar carteiras de crédito que não teriam existência efetiva.
No relatório, a PF descreve a atuação de Daniel Vorcaro como pessoal, reiterada e diretiva nas operações sob investigação. O empresário foi indiciado ao lado de outros 14 investigados. O procedimento, porém, representa a conclusão da análise policial sobre os elementos reunidos e não significa que os envolvidos tenham sido condenados criminalmente.
Com a decisão de André Mendonça, a PGR deverá examinar as informações e provas apresentadas pela Polícia Federal e se posicionar dentro do prazo estabelecido. A partir dessa avaliação, o órgão poderá decidir quais providências jurídicas considera cabíveis, inclusive o eventual oferecimento de denúncia, caso identifique elementos suficientes.
No mesmo despacho, o ministro autorizou a ampliação do prazo solicitado pela Polícia Federal para a realização de perícias complementares. Os trabalhos têm como objetivo aprofundar o exame dos documentos, acompanhar o percurso dos recursos financeiros e individualizar a possível participação de cada investigado nas transações questionadas.
Essas análises técnicas também deverão contribuir para dimensionar os valores envolvidos e esclarecer como o dinheiro circulou entre as instituições financeiras e as empresas relacionadas às operações. Os resultados poderão acrescentar novas informações ao inquérito e ajudar a estabelecer a extensão das possíveis irregularidades.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março de 2026, no Distrito Federal. A medida está relacionada a suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo a emissão de títulos considerados falsos. A prisão integra o contexto das apurações sobre as atividades do Banco Master e as operações financeiras investigadas pelas autoridades.
A defesa do empresário reagiu ao indiciamento e criticou a condução das investigações. Os advogados afirmam que a Polícia Federal estaria retomando uma versão dos fatos já apresentada anteriormente. Também sustentam que as operações envolvendo as carteiras de crédito da Tirreno teriam sido posteriormente substituídas por outros ativos, que, segundo a defesa, geraram resultados positivos para o BRB.
Os representantes de Vorcaro questionam ainda a falta de uma perícia oficial que, na avaliação deles, comprove o prejuízo financeiro apontado pela Polícia Federal. A defesa também contestou a continuidade da prisão preventiva, alegando demora no andamento do processo e possível desrespeito aos direitos do empresário.
Com a manifestação da Procuradoria-Geral da República e a realização das perícias complementares, a investigação continua sob acompanhamento do Supremo Tribunal Federal. As próximas etapas deverão esclarecer o alcance das operações financeiras, a eventual responsabilidade dos envolvidos e os possíveis desdobramentos judiciais do caso Banco Master.
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